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Alcides Bernal: quem foi o 1º prefeito cassado de Campo Grande que morreu na véspera do aniversário

Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13) em Campo Grande O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13), na Santa Casa, apó...

Alcides Bernal: quem foi o 1º prefeito cassado de Campo Grande que morreu na véspera do aniversário
Alcides Bernal: quem foi o 1º prefeito cassado de Campo Grande que morreu na véspera do aniversário (Foto: Reprodução)

Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13) em Campo Grande O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13), na Santa Casa, após passar mal no Presídio Militar, onde estava preso desde 24 de março deste ano. Ele respondia preso pela morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, em um caso relacionado à disputa pela posse de um imóvel. Antes de morrer, Bernal teve 3 pedidos da defesa negados; último foi por prisão humanitária Bernal morreu um dia antes de completar 61 anos. Nascido em Corumbá, em 14 de julho de 1965, também ficou marcado por ter sido o primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Formado em Direito pela Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (Fucmat), mudou-se para Campo Grande aos 15 anos e atuou principalmente na área criminal. Da rádio à prefeitura Ex-prefeito Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13). Redes sociais Bernal começou a carreira como radialista e ganhou projeção antes de entrar para a política. Foi eleito vereador de Campo Grande em 2004 e reeleito em 2008, quando recebeu a maior votação já registrada para o cargo no município até então. Em 2010, foi eleito deputado estadual e integrou as comissões de Direitos do Consumidor e de Direitos Humanos. Dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Campo Grande com mais de 270 mil votos. Cassação e retorno ao cargo Em 2014, Bernal tornou-se o primeiro prefeito de Campo Grande a ter o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP). Dos 29 vereadores, 23 votaram pela cassação, sob a acusação de irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, o vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu a prefeitura. A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal, em setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita e uma comissão processante foi criada para apurar o caso. Durante o processo, Bernal negou as irregularidades. Na sessão de julgamento, usou a tribuna para se defender e afirmou que agiu para proteger o interesse público. Em agosto de 2015, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou o retorno de Bernal ao cargo, por dois votos a um, cerca de um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu na prefeitura até o fim do mandato, em 2016. Após a decisão, afirmou que "a Justiça pode tardar, mas não falha", em entrevista ao g1. Na eleição de 2016, tentou a reeleição, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos. Despejo de fazenda Em 2025, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou o despejo de Bernal de uma fazenda em Sidrolândia e concedeu a reintegração de posse ao proprietário por falta de pagamento do contrato de arrendamento. A decisão foi da 2ª Vara Cível de Campo Grande. O proprietário alegou ser analfabeto funcional e afirmou que assinou, em janeiro de 2019, um contrato de arrendamento para exploração agropecuária. Segundo ele, não compreendeu todas as cláusulas e apontou divergências sobre prazos e formas de pagamento. Prisão por homicídio No dia 24 de março deste ano, Bernal se apresentou à polícia após a morte do fiscal tributário da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Segundo a investigação, Mazzini estava em um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, acompanhado de um chaveiro, quando foi atingido por disparos. O imóvel havia pertencido a Bernal, foi levado a leilão judicial e arrematado pelo servidor. Ao g1, Bernal afirmou que foi avisado pelo sistema de segurança de que três homens haviam entrado na residência e disse que agiu em legítima defesa. Ainda segundo o ex-prefeito, após os disparos, ele acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e se apresentou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro. No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que pedia a liberdade de Bernal. A decisão foi tomada menos de uma semana depois de o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. LEIA TAMBÉM: Ex-prefeito Alcides Bernal morre após passar mal no Presídio Militar e ser internado em Campo Grande Defesa fez pedidos de prisão domiciliar O advogado Ricardo Machado informou ao g1 que apresentou três pedidos de prisão domiciliar e dois pedidos de habeas corpus antes de Bernal passar mal e morrer. Segundo a defesa, um dos habeas corpus foi apresentado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e o outro ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Bernal havia sido internado no dia 30 de junho, após passar mal no Presídio Militar. Na ocasião, passou por um procedimento cardíaco, recebeu alta e retornou à unidade prisional. O último pedido apresentado à Justiça solicitava, em caráter de urgência, a revogação da prisão preventiva e a concessão de prisão domiciliar humanitária. A defesa alegava que Bernal corria alto risco de morte súbita e que o Presídio Militar não possuía estrutura para atendê-lo em caso de emergência cardíaca. Neste fim de semana, o ex-prefeito voltou a passar mal e foi levado novamente para a Santa Casa. A nova internação ocorreu um dia após a Justiça negar o pedido de prisão domiciliar. Oclusões de até 90% no coração No último pedido protocolado, a defesa anexou exames que apontavam o estado de saúde de Bernal, que já havia sofrido três infartos ao longo da vida. Segundo os laudos, um cateterismo identificou obstruções entre 70% e 80% nas artérias coronárias, além de uma reoclusão de 90% na região de um stent antigo. O parecer da cardiologista responsável pelo acompanhamento apontava diagnóstico de doença arterial coronariana multiarterial grave, agravada por hipertensão e diabetes, além do risco de um novo infarto ou de arritmias. A defesa também apresentou laudos psiquiátricos que apontavam quadro de depressão grave e crises de pânico, que, segundo os documentos, eram agravadas pelo estresse da prisão. Dívida de R$ 80 mil Segundo informações apuradas pela TV Morena, Roberto Carlos Mazzini havia arrematado judicialmente o imóvel onde ocorreu o crime e aguardava a conclusão da transferência em cartório. Avaliada inicialmente em R$ 3,7 milhões, a residência foi leiloada com lance inicial de R$ 2,4 milhões, equivalente a um desconto de 36%. Em 2023, um relatório apresentado à Justiça apontava que a dívida de Bernal com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ultrapassava R$ 80 mil. Em novembro de 2021, a Prefeitura de Campo Grande entrou na Justiça para cobrar os débitos referentes aos anos de 2018 e 2019. No ano passado, o juiz Wagner Mansur Saad determinou a notificação de Bernal, mas ele não foi localizado no endereço informado. Conforme o sistema de consulta do IPTU, o valor venal atual do imóvel é de R$ 344 mil. Mansão de Alcides Bernal foi avaliada em R$ 3,7 milhões. Huanderson Merlotti/TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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