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Antecessora da urna eletrônica, modelo de lona foi criado por italiano que nunca votou na própria invenção

Urna de lona foi criada por italiano que nunca votou na própria invenção Compacta, rápida e acessível. A urna eletrônica já faz parte da rotina de votação dos b...

Antecessora da urna eletrônica, modelo de lona foi criado por italiano que nunca votou na própria invenção
Antecessora da urna eletrônica, modelo de lona foi criado por italiano que nunca votou na própria invenção (Foto: Reprodução)


Urna de lona foi criada por italiano que nunca votou na própria invenção Compacta, rápida e acessível. A urna eletrônica já faz parte da rotina de votação dos brasileiros há exatos 30 anos. Antes da chegada da tecnologia, porém, o destino político do país foi depositado por mais de quatro décadas nas tradicionais urnas de lona, utilizadas de 1955 até o início dos anos 2000, quando o sistema eletrônico chegou a 100% dos municípios brasileiros. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Urna de Lona, invenção de Abílio Cesaríno Marcelo Risso/TV TEM O projeto da urna de lona nasceu da mente do empresário Abílio Cesarino, italiano, filho de mãe brasileira de família jauense, que aproveitou a experiência na fabricação de malas e artefatos de couro para criar um equipamento que ajudaria a moldar a história eleitoral do Brasil. Contudo, a história carrega uma curiosa ironia. Abílio jamais pôde votar na própria criação. Por ter nascido na Itália e nunca ter se naturalizado brasileiro, ele nunca exerceu o direito ao voto no país. Busca por um modelo seguro Na década de 1950, o sistema eleitoral brasileiro enfrentava problemas de logística e de segurança. As votações eram realizadas em urnas pesadas, feitas de madeira e ferro, difíceis de transportar e suscetíveis a violações. LEIA MAIS Trigêmeos de 17 anos tiram primeiro título de eleitor juntos e surpreendem cartório no interior de SP Justiça eleitoral realiza testes das urnas nos cartórios de Bauru Cartórios do interior de SP registram mais de 1,4 mil promessas digitais e páginas de candidatos para cobrar eleitos O cenário se tornou ainda mais delicado após o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em agosto de 1954, em um período marcado por forte tensão política e incertezas no país. Em entrevista ao g1, o historiador Fábio Grossi explica que o combate às fraudes eleitorais ganhou ainda mais importância naquele contexto, e a Justiça Eleitoral passou a buscar um modelo de urna que fosse, ao mesmo tempo, prático e seguro. "O Brasil já trazia no seu DNA a preocupação com fraudes. A urna de madeira tinha um compartimento inferior de onde se tiravam os votos, e isso era muito manipulado. Na época, a Justiça Eleitoral buscou algo revolucionário e inviolável", afirma o historiador. Evolução das urnas eleitorais brasileiras Reprodução Foi nesse contexto que entrou em cena Abílio Cesarino. Nascido em 1914, na Itália, ele passou praticamente toda a infância em Jaú (SP). No início dos anos 1950, mudou-se para São Paulo com o irmão, Silvio, e os dois abriram uma fábrica de malas, carteiras e artigos de couro. Ao saber do concurso lançado pelo governo federal, Abílio percebeu que a técnica utilizada no dia a dia para estruturar malas de viagem poderia ser adaptada para criar uma urna leve, resistente e capaz de guardar com segurança as cédulas de papel. Abílio Cesaríno, inventor da Urna de Lona Reprodução/Marcelo Risso/TV TEM O projeto, porém, quase não saiu do papel. Empenhado em aperfeiçoar o protótipo, Abílio perdeu o prazo oficial de inscrição no concurso. Ainda assim, o empresário não desistiu. Ele procurou diretamente o secretário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para apresentar a criação. "Ele disse ao tribunal: 'A minha urna é muito melhor que essa que venceu'. Quando o secretário observou a praticidade do protótipo, feito de lona dobrável, percebeu que era perfeita e o projeto foi acatado", conta Grossi. Jaú em primeiro lugar Aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o projeto da urna de lona teve a patente doada gratuitamente por Abílio ao governo federal. O inventor, no entanto, fez uma única exigência, motivada pelo orgulho que tinha de suas raízes no interior de SP. Ele pediu que o lote inicial de 70 urnas fosse enviado para Jaú. Com isso, nas eleições presidenciais de 1955, que elegeram Juscelino Kubitschek, Jaú se tornou a primeira cidade do interior do Brasil a utilizar a novidade, estreando o modelo ao lado das grandes capitais. Urna de lona e ata da votação que elegeu presidente JK Nalu Cardoso/g1 RR Até se aposentar, em 1976, Abílio chegou a produzir em sua fábrica mais de 100 mil urnas de lona, que abasteceram seções eleitorais de todo o país. O homem que criou a urna nunca votou Apesar de ter criado um equipamento que fez parte do exercício da cidadania de milhões de brasileiros, Abílio Cesarino nunca pôde depositar oficialmente um voto na própria criação. Filho de pai italiano e mãe brasileira, Abílio nasceu em Sapri, na Itália, em 1914, durante uma viagem da família, que já morava em Jaú,para visitar parentes na Europa. Abílio, contudo, permaneceu cidadão italiano e nunca se naturalizou brasileiro, condição necessária para que pudesse exercer o direito de voto no país. "Tem entrevista dele em que ele brincava que nasceu na Itália 'por acidente', porque a mãe estava grávida e o pai quis fazer a viagem. Ele voltou para Jaú ainda nenê, fez a vida aqui, se considerava jauense, mas nunca votou no Brasil", finalizou o historiador Fábio Grossi. Abílio Cesarino morreu em 2002, aos 88 anos, e está sepultado no Cemitério Municipal de Jaú. Túmulo de Abílio Cesarino, no Cemitério Municipal de Jaú (SP) Marcelo Risso/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

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