Caso Yara Paulino: Ex-marido e outros três devem ir a júri popular mais de 1 ano após crime no Acre
Ismael Bezerra Freire (ex-marido), Patrícia de Castro da Silva, Leiliane Alves da Silva e Francisco Gleidson de Souza Nunes vão a júri por envolvimento na morte...
Ismael Bezerra Freire (ex-marido), Patrícia de Castro da Silva, Leiliane Alves da Silva e Francisco Gleidson de Souza Nunes vão a júri por envolvimento na morte de Yara Paulino da Silva em Rio Branco, em 2025
Reprodução/MP-AC
Quatro dos nove suspeitos envolvidos no assassinato de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, em Rio Branco, foram pronunciados a júri popular referente ao caso no Acre. Entre os réus está Ismael Bezerra Freire, ex-marido da vítima. A previsão é de que o julgamento ocorra entre novembro e dezembro deste ano.
Os suspeitos Francisco Gleidson de Souza Nunes, Leiliane Alves da Silva e Patrícia de Castro da Silva também devem ir ao banco dos réus juntamente com Ismael. Inclusive, os dois últimos entraram com recurso contra a decisão judicial. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos pronunciados até a última atualização desta reportagem.
“A Patrícia de Castro da Silva e o Ismael Bezerra Freire recorreram dessa decisão de pronúncia, pedindo para não serem pronunciados. Mas é possível que eles sejam pronunciados também. Então, hoje tem dois para ir para o júri e outros dois estão aguardando esse recurso [...] para verificar se eles irão a júri ou não”, disse o promotor Teotônio Rodrigues, do Ministério Público do Acre (MP-AC).
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👉Contexto: Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi retirada de dentro de casa e assassinada no dia 24 de março do ano passado, na frente de outros dois filhos dela, sob a acusação de ter matado a filha de 2 meses e jogado o corpo em uma área de mata. Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime foi cometido por integrantes de uma facção criminosa e tratado como uma espécie de 'disciplina'. À época, circulou o boato de que a mulher teria matado a própria filha e escondido os restos mortais em um saco de ração. A informação, no entanto, foi descartada após análise do Instituto Médico Legal (IML), que confirmou que a ossada encontrada em uma área de mata era de um animal.
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Além destes quatro acusados, Maria Liberdade da Silva Siqueira Chaves, José Gabriel Lima do Nascimento, Janderson Duque de Barros, Gabriel Sales Souza e Mizael Bezerra Freire também são suspeitos de participarem do crime.
Ainda de acordo com o promotor, a partir da morte de Yara, a Polícia Civil instaurou uma investigação e, na fase do inquérito, concluiu que nove pessoas foram responsáveis pelo crime.
“A Yara morreu a partir de um boato de que teria matado sua filha. Em razão disso, o crime organizado ali daquela região deliberou pela morte dela. Durante a investigação, a polícia concluiu que nove pessoas estavam envolvidas naquele homicídio”, afirmou.
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O promotor acrescenta ainda que o Ministério Público ofereceu denúncia contra os nove suspeitos e o processo seguiu para a instrução processual, onde quatro pessoas foram pronunciadas e outros cinco impronunciados. Segundo ele, um conjunto de provas e relatos de testemunhas levaram à decisão.
“Depoimento das pessoas envolvidas ali, os próprios réus indicaram nesse sentido [que o crime ocorreu devido ao boato de que Yara havia matado a filha]. Então, são provas testemunhais que nos levaram a esse indício”, detalhou.
Conforme o promotor, após o surgimento do boato, uma pessoa encontrou, em um terreno baldio, um saco de lixo com restos mortais e afirmaram que seria a filha de Yara. A criança nunca foi encontrada.
“Falaram que a criança estava no saco e surgiu esse boato. Quando se fez a perícia naqueles restos mortais, que estavam naquele saco, descobriu-se que era de um animal. E, por conta disso [do boato], Yara foi morta”, acrescentou.
Yara Paulino da Silva foi assassinada em 24 de março desse ano, após boato de ter matado própria filha
Foto: Reprodução
Denúncia do MP
O MP ofereceu denúncia contra os nove suspeitos envolvidos na morte de Yara por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, mediante ferimentos causados por instrumento contundente que causou a morte dela.
De acordo com o órgão, após a vítima informar a algumas pessoas da Cidade do Povo sobre o desaparecimento da filha, os acusados, que integram a facção criminosa 'Bonde dos 13', invadiram a casa de Yara e a agrediram, exigindo que ela confessasse que fosse a responsável pelo desaparecimento da filha.
A ordem para matar Yara, conforme a denúncia, foi emitida por Francisco Gleidson de Souza Nunes, liderança da facção na região.
“De acordo com a investigação, a vítima conseguiu se desvencilhar dos seus agressores e tentou fugir do local, mas foi rapidamente alcançada pelos denunciados, que, em plena via pública, desferiram sucessivos golpes contra ela até dilacerar seu cérebro, matando-a”, detalha a denúncia.
Yara Paulino da Silva, assassinada em Rio Branco
Reprodução
O corpo da vítima, segundo o laudo do exame cadavérico, apresentava feridas extensas na região da cabeça, tórax, braços e pernas. “Isso revela que, na execução do homicídio, foi infligido à vítima processo de sofrimento prolongado, intenso e desnecessário, caracterizando o meio cruel”, acrescenta o processo.
Ainda de acordo com a denúncia, sete testemunhas, incluindo o filho de Yara que presenciou a morte da mãe, devem ser ouvidas.
Veja abaixo por quais crimes cada um foi denunciado:
Francisco Gleidson de Souza Nunes, vulgo "Neném ou Pai": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Leiliane Alves da Silva, vulgo "Comadre": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Patrícia de Castro da Silva, vulgo "Neguinha": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Maria Liberdade da Silva Siqueira Chaves: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
José Gabriel Lima do Nascimento, vulgo Metralha" ou "Lacoste": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Janderson Duque de Barros, vulgo "Chosen": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Gabriel Sales Souza, vulgo "Falcão" ou "Limão": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Ismael Bezerra Freire: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;
Mizael Bezerra Freire: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas.
A denúncia requer ainda a fixação de multa aos acusados, no valor mínimo de R$ 100 mil à família da vítima por danos morais causados pela morte de Yara Paulino.
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