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Cientistas descobrem como os 'Doze Apóstolos da Austrália' foram formados

Vista dos Doze Apóstolos, formações rochosas de calcário na costa de Victoria, no sul da Austrália. Mark Cuthell Eles são um dos cartões-postais mais fot...

Cientistas descobrem como os 'Doze Apóstolos da Austrália' foram formados
Cientistas descobrem como os 'Doze Apóstolos da Austrália' foram formados (Foto: Reprodução)

Vista dos Doze Apóstolos, formações rochosas de calcário na costa de Victoria, no sul da Austrália. Mark Cuthell Eles são um dos cartões-postais mais fotografados do mundo, atraem milhões de visitantes por ano e ficam a 275 quilômetros de Melbourne, na costa sul da Austrália. Mas até esta quarta-feira (23), ninguém havia explicado com precisão como os Doze Apóstolos — as torres de calcário que emergem do Oceano Antártico como sentinelas de pedra — foram formados. Um estudo da Universidade de Melbourne publicado no "Australian Journal of Earth Sciences" finalmente responde a essa pergunta. E traz uma surpresa: as formações são mais jovens do que a ciência acreditava. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A resposta estava escondida nas próprias rochas — em camadas sobrepostas como as de uma cebola, cada uma guardando informações sobre o clima, os oceanos e a atividade geológica de épocas remotas. "Uma coisa surpreendente para nós foi que, mesmo que algumas camadas pareçam exatamente iguais no campo, elas são na verdade diferentes — as medições estão registrando mudanças ambientais e climáticas melhor do que o próprio padrão visual das rochas", disse ao g1 Stephen Gallagher, professor associado da Escola de Geografia, Ciências da Terra e Atmosféricas da Universidade de Melbourne e autor do estudo. Gallagher ainda explica que a descoberta funciona como uma cápsula do tempo ambiental. Cada camada dessas estruturas gigantes preservou informações sobre o clima da Terra, a atividade tectônica, as plantas e os animais ao longo de milhões de anos, incluindo um momento-chave há cerca de 13,8 milhões de anos, quando o clima era muito mais quente do que hoje. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que os pesquisadores descobriram é que o processo começou muito antes da erosão que todos conhecem. Durante milhões de anos, o movimento de placas tectônicas empurrou e inclinou essas estruturas de calcário para fora do mar — uma força geológica lenta e invisível que preparou o terreno para o que viria depois. Só então, nos últimos milhares de anos, após o fim da última Era do Gelo, as ondas e os ventos do Oceano Antártico entraram em cena e esculpiram os pilares que hoje se veem da costa. O estudo também corrigiu o que se sabia sobre a idade das formações. Pesquisas anteriores estimavam que as camadas de calcário tinham entre 7 e 15 milhões de anos — uma margem ampla, baseada em dados preliminares. Ao analisar fósseis microscópicos encontrados nas rochas, a equipe conseguiu datar as camadas com muito mais precisão: entre 8,6 e 14 milhões de anos. Menos antigas do que se supunha, portanto. Microfósseis encontrados nas camadas de rocha dos Doze Apóstolos, na Austrália. Stephen Gallagher/Universidade de Melbourne Os movimentos tectônicos também deixaram marcas visíveis para quem sabe onde olhar. As camadas de calcário nas falésias ao redor dos Doze Apóstolos não são horizontais — estão levemente inclinadas, resultado da força das placas que as empurrou e torceu ao longo de eras. Pequenas falhas geológicas também podem ser vistas nas rochas, registros silenciosos de terremotos antigos. "Se você olhar com atenção para as falésias ao redor dos Doze Apóstolos hoje, pode ver que as camadas de calcário não são planas, mas estão, na verdade, inclinadas alguns graus. Pequenas linhas de falha também podem ser vistas, e são registros de terremotos antigos", disse Gallagher. A pesquisa também tem uma urgência prática. Dos doze que deram nome ao lugar — número que, aliás, nunca foi exato; havia nove pilares originais —, restam hoje apenas oito. Um desabou em 2005, outro em 2009. E a erosão continua, à razão de cerca de 2 centímetros por ano na base das estruturas. Por isso, entender como as camadas se formaram e o que cada uma registra é também uma forma de entender para onde vão o clima e o nível do mar no futuro. "Estamos usando essa 'janela para o passado' para entender para onde as temperaturas e os níveis do mar podem estar se encaminhando no caminho atual das mudanças climáticas. Com apenas oito dos doze Apóstolos restantes, precisamos estudá-los e aprender com eles enquanto ainda podemos", disse o pesquisador. Um dos pilares de calcário que compõem os Doze Apóstolos, na costa de Victoria, na Austrália. Stephen Gallagher LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

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