Cremesp apura conduta médica de caso de idosa que morreu após ser operada no lugar de outra paciente
Quem era idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano: 'Muito querida' O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) instaurou, nesta ...
Quem era idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano: 'Muito querida' O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) instaurou, nesta quinta-feira (23), uma sindicância para apurar a conduta dos médicos envolvidos na cirurgia feita por engano em Jandira Marina Dias Braga no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). A idosa de 76 anos morreu três dias após realizar uma gastrostomia endoscópica no lugar de outra paciente. Jandira estava internada para tratar uma obstrução intestinal provocada pela recidiva de um câncer de cólon. 🔍 A gastrostomia é um procedimento que coloca uma sonda diretamente no estômago para alimentação ou drenagem de líquidos. Por meio dela, é possível alimentar o paciente ou drenar líquidos acumulados. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O hospital admitiu o erro, disse que abriu uma sindicância interna para apurar o caso e que foram adotadas medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, e que uma avaliação médica e técnica concluiu que a cirurgia "não alterou o prognóstico da paciente" — veja a manifestação abaixo. Segundo a neta da vítima, a dentista Camila Dias Barozzi, Jandira era o centro das reuniões familiares. "Ela era a pessoa que unia todo mundo, casa de vó. Então, hoje, o que eu sinto só é um vazio, um silêncio, e a falta de um colo, que eu sei que era o melhor do mundo", disse. "Minha avó era uma pessoa muito boa e muito querida. Eu acho que a última vontade que foi de não deixar ela sofrer foi o que a gente fez [...] o importante é que a gente não queria ver ela sofrer em cima de uma cama de hospital. Acho que ela está num um lugar bem melhor", contou a neta. LEIA TAMBÉM: Família de idosa que morreu 3 dias após ser operada por engano diz que hospital citou 'benefício clínico' em procedimento Paciente com câncer passa por cirurgia destinada a outra pessoa e morre três dias depois em hospital de Campinas Neta de idosa que morreu 3 dias após ser operada no lugar de outra pessoa diz que vai à Justiça: 'Prometi que não deixaria quieto' Quem era idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano no interior de SP: 'Muito querida' Diagnóstico de câncer de cólon Há 12 anos, ela foi diagnosticada com câncer de cólon e, na época, passou por uma cirurgia de urgência. Ela fez a remoção do tumor, utilizou bolsa de colostomia e concluiu o tratamento com quimioterapia. Segundo a família, o quadro evoluiu bem, sem metástase, e a paciente recebeu alta. Em maio de 2026, ela voltou a apresentar dores abdominais e buscou atendimento. Exames indicaram um novo câncer primário, sem metástase, e a oncologista havia encaminhado o início de uma nova quimioterapia. Para a família, o erro interrompeu a chance de um tratamento bem-sucedido. "Estava tudo encaminhando para iniciar uma nova quimioterapia, que segundo a oncologista dela, era um câncer sem metástase, então ele ia dissolver e ela ia ter de novo uma vida normal", disse a neta. Cirurgia feita por engano Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois. Reprodução/EPTV A falha aconteceu na noite de 8 de junho. A EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso aos documentos do prontuário. Eles mostram que Jandira passou por uma gastrostomia endoscópica, procedimento para colocação de uma sonda diretamente no estômago. A cirurgia começou às 18h45 e terminou às 19h20. A troca só foi descoberta ao final da cirurgia, durante a passagem de plantão, quando funcionários notaram que a paciente correta continuava no quarto e conferiram a pulseira de identificação de Jandira. Camila contou que a família foi chamada para uma reunião com integrantes da direção do hospital depois do ocorrido — assista ao relato completo da família abaixo. "Quando a gente chegou lá, estava o diretor clínico e a diretora do centro cirúrgico. Ele falou que nunca tinha acontecido isso na carreira dele e que minha avó tinha sido levada ao centro cirúrgico, e feito uma cirurgia no lugar de uma outra paciente", afirmou a neta. Paciente passa por cirurgia destinada a outra pessoa e morre 3 dias depois em hospital Piora do quadro Segundo Camila, a direção alegou que a intervenção trouxe "benefício clínico" porque permitiu que fluidos associados à obstrução do intestino fossem drenados. A família, porém, contesta essa conclusão. "No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico não foi", afirmou Camila. A neta também relatou que o quadro de saúde da idosa piorou depois da cirurgia. "Ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito", disse. Os registros médicos apontam que, na manhã de 9 de junho, Jandira apresentou confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e alteração do ritmo cardíaco, sendo transferida para a UTI. A equipe médica passou a investigar hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar. Familiares e médicos decidiram adotar cuidados paliativos, sem medidas invasivas. Jandira morreu às 19h30 de 11 de junho, segundo anotação médica registrada no hospital. O que diz o hospital? Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois. Reprodução/EPTV Em nota, o hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou um "evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente", abriu sindicância interna, acionou os conselhos profissionais competentes e adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos. Leia abaixo. "O Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas informa que identificou a ocorrência de um evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente. Assim que a situação foi constatada, a instituição adotou as medidas assistenciais necessárias, comunicou os familiares e prestou todo o suporte necessário ao longo da assistência. A avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente. Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já foi encaminhado aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos. Como resultado da apuração, o Hospital reforçou seus protocolos e fluxos de segurança assistencial, reafirmando seu compromisso com a qualidade do atendimento, a segurança do paciente, a transparência e a melhoria contínua de seus processos. O Hospital lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição." ➡ O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), porém, informou que ainda não havia sido formalmente notificado sobre o caso. O órgão declarou que situações de possível infração ética são apuradas conforme os ritos previstos na Resolução Cofen nº 706/2022 e reforçou o compromisso com uma assistência livre de danos aos pacientes. ➡ Questionado sobre os protocolos nos dois conselhos, o hospital disse que a Comissão de Ética da instituição tem um prazo para emitir parecer e então encaminhar o caso, o que ainda está em andamento. "Em todas as instituições hospitalares são eleitas Comissões de Ética pelos seus pares, que representam os Conselhos de classe. Essas comissões dispõem de um prazo para o estabelecimento de pareceres. Desta forma: - A comissão de ética do Hospital enviou o caso para o Cremesp, que fez agendamento a próxima sexta-feira (24/07) - A comissão de ética do Hospital está finalizando o encaminhamento ao Coren (o prazo é de 60 dias da ocorrência do caso)." VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região A idosa de 76 anos morreu três dias após realizar uma gastrostomia endoscópica Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas