Críticas ao governo e promessas para saúde, educação, transporte e BRB marcam segundo debate entre candidatos ao governo do DF
Candidatos ao governo do Distrito Federal participam de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Candidatos ao governo do Distrito Federal participaram n...
Candidatos ao governo do Distrito Federal participam de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Candidatos ao governo do Distrito Federal participaram nesta terça-feira (1º) do segundo debate eleitoral para a disputa de 2026. O evento foi promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília e reuniu seis candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). Duas vagas para o Senado: repetir o candidato anula o 2º voto; saiba como votar e evite erros Baixe o app do g1 para receber notícias da eleição O encontro foi dividido em quatro blocos: No primeiro bloco, candidatos responderam a perguntas de jornalistas do Correio Braziliense. Um outro candidato foi escolhido, em cada pergunta, para comentar. No segundo bloco e no terceiro blocos, os candidatos fizeram perguntas entre si. No quarto e ú, cada participante teve um minuto e meio para as considerações finais. 30 anos da urna eletrônica: como evoluiu nas eleições brasileiras Polêmicas O debate desta terça foi marcado por embates mais diretos entre os candidatos, com troca de acusações e pedidos de resposta. Assim como no debate anterior, promovido pela Band, os cinco outros candidatos usaram várias de suas participações para criticar o atual governo. Candidata à reeleição, Celina Leão (PP) "se defendeu" durante suas intervenções e classificou o evento como "caça à leoa". Em uma das interações no terceiro bloco, Celina Leão chamou Cappelli de "bobo da corte do 8 de janeiro" – uma crítica à atuação de Cappelli como interventor federal na Segurança Pública df DF após os atos golpistas em 2023. Naquele momento, Ibaneis foi afastado do governo e Celina era governadora interina. A direção do debate concedeu direito de resposta a Cappelli. O candidato usou os 45 segundos para dizer que "bobo da corte é a população do Distrito Federal que pega o ônibus lá em Brazlândia" – e voltou a "desafiar" Celina a pegar ônibus em algum terminal do DF. Celina e Cappelli protagonizaram, ainda, um segundo embate. A candidata à reeleição acusou Cappelli de ter sido condenado por "violência de gênero" contra ela em uma propaganda política. Cappelli afirmou que Celina mentiu. ➡️Como mostrou o g1, a Justiça Eleitoral determinou que Cappelli apagasse os vídeos de suas redes sociais, mas a decisão foi derrubada após recurso do candidato. Na segunda decisão, o juiz disse que "não é possível concluir que a crítica foi dirigida à condição de mulher". Nas considerações finais, Paula Belmonte acusou Celina Leão de estar usando dois celulares durante o evento – o que era proibido pelas regras do debate. Logo antes, a organização do debate já havia sinalizado aos candidatos que era proibido o uso de dispositivos eletrônicos. Primeiro bloco Candidata ao governo do DF Paula Belmonte (PSDB) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Primeira a responder, Paula Belmonte (PSDB) foi questionada sobre suas experiências anteriores de gestão, e o que a "credenciaria" a governar o Distrito Federal. A candidata afirmou que é administradora "por formação" e empresária, e que o governo atual "não sabe onde está colocando o dinheiro" "Falta gestão, e é isso que nós queremos. Que a gente possa fazer uma boa gestão do nosso governo, a partir de 2027, e trazer a transparência e o combate à corrupção", declarou Paula. Escolhida para comentar, Celina Leão (PP) disse acreditar que mostrou capacidade de gestão quando assumiu o governo – por exemplo, quando o então governador Ibaneis (MDB) foi afastado após os atos de 8 de janeiro. Candidato ao governo do DF Leandro Grass (PT) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução O candidato Leandro Grass (PT) foi o sorteado para a segunda pergunta. Questionado sobre suposta posição contrária do PT ao Fundo Constitucional, Grass afirmou que negou ataques aos FCDF por parte do governo Lula. Ele citou ainda medida aprovada no Congresso e contestada pela governadora Celina Leão que prevê renúncia de receita de combustíveis. “Esse projeto não trata especificamente do Fundo, ele muda a forma de correção dos fundos de maneira geral e não há redução, há apenas uma mudança no cálculo de incremento, que pode ser ainda ajustado e alterado”, afirmou. Escolhido para comentar a resposta, José Roberto Arruda (PSD) afirmou que o governo do DF vive um momento de “falta de credibilidade” e que “perdeu a capacidade de diálogo com o Congresso e com o governo federal”. Candidato ao governo do DF Ricardo Cappelli (PSB) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Em seguida, Ricardo Cappelli (PSB) foi questionado sobre estratégias para a segurança pública. O candidato disse que vai contratar 7 mil policiais militares pra preencher o déficit atual, voltar com a estratégia "Cosme e Damião" de patrulhamento de rua e com rondas ostensivas, além de combater o feminicídio. Indicado para comentar o tema, Kiko Caputo (Novo) afirmou que a segurança pública será prioridade em seu eventual governo e que, em vez de "olhar para o passado", pretende investir em tecnologia até conseguir repor o contingente da PM. Candidato ao governo do DF José Roberto Arruda (PSD) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Quarto a responder, Arruda (PSD) foi perguntado sobre suas soluções para a crise do Banco Master. Disse que o BRB foi "assaltado" e que os R$ 16 bilhões retirados do banco seriam suficientes para construir 35 hospitais públicos. Afirmou, ainda, que pretende fechar as agências do BRB fora de Brasília, revisar os acordos de patrocínio e abrir um Plano de Demissão Voluntária para reduzir o número de servidores. Chamado a comentar a resposta, Leandro Grass (PT) disse ter um compromisso de combater irregularidades e ser ficha limpa. Candidato ao governo do DF Kiko Caputo (NOVO) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Quinto no sorteio, Kiko Caputo (Novo) foi perguntado sobre o foco de sua proposta econômica, incluindo possíveis privatizações. Kiko disse que, quando começar a gerir "de forma proba e honesta", vai sobrar dinheiro nos cofres públicos para ações como recuperar o Metrô e dar um "choque de transparência". Chamada a comentar, Paula Belmonte (PSDB) também criticou o governo atual e a privatização da CEB e da gestão da rodoviária. Candidata ao governo do DF Celina Leão (PP) participa de segundo debate Correio Braziliense/Reprodução Última a ser questionada, Celina Leão (PP) foi questionada sobre dois problemas que a próxima gestão terá de resolver: a possível redução do Fundo Constitucional e a dívida do BRB. Em resposta, Celina disse que assumiu o governo com duas grandes crises e "não correu dos problemas". Afirmou, ainda, que o BRB vai conseguir pagar o empréstimo que está sendo negociado com as próprias receitas. Ao comentar a resposta, Cappelli (PSB) afirmou que o governo de Celina "comandou a roubalheira no BRB e agora quer tomar um empréstimo para você [espectador] pagar o rombo". E que fará diferente, se for eleito. Segundo bloco No início das perguntas diretas, Arruda (PSD) questionou Celina Leão (PP) sobre as críticas feitas pela adversária na propaganda eleitoral e o pedido de impugnação de sua chapa. Em resposta, Celina disse que as críticas são políticas, e não à pessoa. E defendeu ações que tomou desde que assumiu o governo, em maio, como a contratação de 20 mil consultas. "Eu sou a candidata mais atacada, alguns candidatos aqui já foram até condenados por violência de gênero contra a minha pessoa", disse. Na réplica, Arruda questionou se Celina Leão não viu os problemas da saúde e a crise do BRB enquanto era vice-governadora. E disse que a única ação da governadora na saúde foi "inaugurar uma cerca". Celina rebateu as críticas na tréplica. Celina Leão voltou a falar sobre o projeto de renúncia fiscal com Leandro Grass. A governadora acusou o partido do candidato de tentar acabar com o Fundo Constitucional. “Como o senhor, no seu governo, vai agir? O senhor vai entrar na justiça também para defender o fundo constitucional?”, questionou a candidata à reeleição. Grass voltou a afirmar que o governo Lula aumentou o valor do fundo. O candidato afirmou que a adversária teve a oportunidade de entregar a melhor educação e segurança pública do Brasil. “Sabe o que você está entregando? Você está entregando o último lugar no Ideb. Você está entregando o maior tempo de espera para exames e cirurgias”, afirmou. “Você fala que não era a governadora, que era o Ibaneis. Você estava em que lugar? Onde é que você trabalhava? Você trabalha em outro prédio, em outro governo? Você caiu no GDF de uma hora para outra, de paraquedas? Você não foi eleita na chapa do Ibaneis?”, questionou. A governadora rebateu as acusações e voltou a falar de ameaças ao Fundo. “O governo federal, quando ele não consegue ajustar as contas, ele aumenta imposto. Agora ele quer mexer nos fundos constitucionais, quer mexer sim, está comprovado e nós fomos ao judiciário”, afirmou. Em seguida, Kiko Caputo (Novo) questionou Cappelli (PSB) sobre a piora do DF em indicadores sociais de saúde e educação, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em resposta, Cappelli disse que há moradores do DF indo para cidades do Entorno para fazer tratamentos de saúde, e que pretende lançar o programa Fila Zero para extinguir a fila de espera por consultas, procedimentos e cirurgias na rede pública. Ao retomar a palavra, Kiko Caputo afirmou que o DF é a unidade da Federação que mais gasta com saúde por pessoa no país, e que "o dinheiro está indo para o ralo da corrupção enquanto você está vendo pessoas morrendo nas filas sem atendimento". Ricardo Cappelli questionou Paula Belmonte sobre projetos para a saúde. O candidato destacou o tempo de espera nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA). Na réplica, Belmonte afirmou que “a saúde pública do Distrito Federal não está só em UTI, ela está já entubada”. “O governo que deixou a saúde chegar onde chegou esse é o governo que deixou o BRB acontecer o que tá acontecendo, que não atende as pessoas e está usando de populismo para fazer ação agora em quatro meses”, afirmou. A candidata destacou ainda que, se eleita, vai investir na saúde primária. Cappelli voltou a mencionar a criação do Fila Zero. O candidato afirma que vai zerar as filas da saúde com a contratação de profissionais e conclusão das obras de hospitais. Em seguida, Leandro Grass (PT) perguntou a Kiko Caputo (Novo) sobre a escolha do candidato a vice-governador e o papel que ele teria em um eventual governo. Kiko disse ter escolhido um "servidor público exemplar da segurança pública, ex-líder classista" e voltou a falar em choque de gestão. Kiko e Grass usaram a pergunta para criticar Celina Leão, ex-vice-governadora de Ibaneis e atual governadora. Última do bloco, Paula Belmonte perguntou a Arruda sobre a crise do BRB. Os dois candidatos também usaram o tema para criticar o governo atual, a quem atribuíram a crise. "O que nos compete hoje é tirar esse pano de cima do problema do BRB, estampar a realidade para a sociedade e, juntos, discutimos uma solução. O FCO [Fundo do Centro-Oeste] pode ser uma solução. O fundo do Nordeste é aplicado no Banco do Nordeste. O FCO pode ser aplicado no BRB", disse Arruda. "Como é que você vai votar em um candidato que está escondendo da sociedade o balanço do BRB? Não temos condições de votar em quem está escondendo. Eu peço: botem na rede o balanço do BRB, deixe as pessoas saberem o que está acontecendo de verdade", rebateu Paula. Terceiro bloco As filas na saúde também foram tema no debate entre Celina e Arruda. Em pergunta, a candidata à reeleição lembrou programa feito na gestão do ex-governador – e disse que a iniciativa não atingiu o resultado esperado. “O problema da saúde pública é um problema que a gente enfrenta há muitos mandatos, inclusive da época do senhor. O que o senhor pensa em fazer de novo que o senhor não fez na época que o senhor era governador?”, perguntou. Arruda afirmou que, durante o mandato dele, as unidades de saúde contavam com especialistas. Ele afirmou ainda que construiu o Hospital de Santa Maria. “Passaram 16 anos, vocês não deram conta de construir mais nenhum hospital”, afirmou. “Como a senhora copia todas as ideias que eu dou, por que a senhora não nomeia logo todos os profissionais da saúde concursados? Quem sabe ameniza um pouquinho a dor das pessoas”, declarou Arruda. Em seguida, Cappelli perguntou a Celina Leão sobre o tempo gasto pelos moradores do DF no transporte público. E "convidou" Celina a ir para as rodoviárias do DF no início da manhã. Celina respondeu dizendo que o transporte público é prioridade do governo atual e que há estudos e investimentos em andamento para expansões do Metrô e para o BRT Norte. A governadora disse ainda que, se reeleita, fará um estudo para implementar o tarifa zero. Na réplica, Cappelli repetiu uma de suas promessas: de que, se eleito, não haverá viagens de transporte público no DF que levem mais de uma hora. Em resposta, Celina criticou a gestão do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), do mesmo partido de Cappelli. Paula Belmonte questionou Leandro Grass sobre propostas para a educação. Grass, que é professor de formação, destacou a importância das escolas em tempo integral. O candidato falou ainda sobre a valorização dos profissionais da educação e prometeu que, se eleito, vai investir na contratação de professores efetivos. “Eu vou nomear e diminuir essa quantidade de temporários que vão e voltam para a escola, mas não conseguem permanecer. Isso consta no projeto para a própria escola, para a gente ter nas famílias a oportunidade de o filho ficar em um local seguro”, afirmou. Belmonte mencionou as filas das creches. “As nossas crianças nascem sem uma continuidade de educação. Precisamos que os professores tenham vínculos e as mães de crianças atípicas se sintam seguras para colocar o seu filho na escola”, declarou. Quarto a perguntar, Arruda escolheu Kiko Caputo e perguntou sobre soluções para o transporte público. Durante a interação, Arruda e Kiko listaram diversas obras de expansão do Metrô e de vias rápidas que pretendem fazer, se forem eleitos. Kiko citou linhas de metrô ligando Samambaia, Pôr do Sol e Sol Nascente, BRT para a região Norte e quatro estradas-parque. E afirmou que os ônibus com ar-condicionado comprados pelo governo atual foram concentrados apenas nas linhas do Plano Piloto. Já Arruda afirmou que, quando foi governador, não pagava subsídio às empresas de ônibus e que o governo atual vem enviando bilhões aos empresários do setor. E disse que o transporte sobre trilhos é "a única solução para Brasília voltar a ter uma mobilidade urbana". Leandro Grass questionou Ricardo Cappelli sobre propostas para ocupação da Residência Oficial de Águas Claras, que não chegou a ser ocupada pelo governo atual. Cappelli utilizou o tempo para propor projetos para educação e mobilidade urbana, mas não respondeu diretamente à pergunta do adversário. Ele afirmou que, se efeito, vai zerar as nomeações pendentes de concursados na educação e aumentar o salário dos professores. Ele destacou ainda a contratação de monitores para acompanhamento de crianças com autismo nas escolas. O candidato do PT voltou a falar sobre a desocupação de prédios públicos. “No meu governo, eu vou pegar os equipamentos GDF que estão obsoletos e vou colocar na mão da sociedade. Vou transformar em equipamento público”, declarou. Grass prometeu ainda que vai criar um centro de referência para cuidar de famílias atípicas: a gente vai ter equipamento público para servir a população, não para ficar lá às moscas, empoeirado, enquanto gastam bilhões de reais com aluguéis do governo. Fechando o bloco, Kiko Caputo perguntou a Paula Belmonte sobre problemas na saúde pública. Paula afirmou que o Iges-DF, que gerencia unidades de saúde, tem contratos emergenciais em vigor há mais de cinco anos e que "não tem rabo preso" com esse modelo. "Atacar, sim, a máfia da saúde, a máfia da cirurgia, a máfia da prótese. É uma vergonha as pessoas passarem pelo que estão passando", afirmou. Na réplica, Kiko disse que é preciso aumentar o horário de funcionamento das UBSs, construir quatro novos hospitais e transformar o hospital de Ceilândia em um hospital da mulher e materno-infantil. Defendeu que sejam contratadas 200 novas equipes do Saúde da Família. Considerações finais Os candidatos tiveram um minuto e meio, cada, para as considerações finais. Os seis usaram o tempo para defender o próprio currículo e repetir promessas que já haviam sido listadas ao longo do debate, em áreas como saúde e educação. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.