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De 200 peixes a 24 toneladas: Festa da Tainha de Praia Grande tem receita guardada a sete chaves por pescador nordestino

Festa da Tainha de Praia Grande TV Globo A Festa da Tainha de Praia Grande começou pequena, servia só 200 peixes, durava um único dia e contava com 30 pessoa...

De 200 peixes a 24 toneladas: Festa da Tainha de Praia Grande tem receita guardada a sete chaves por pescador nordestino
De 200 peixes a 24 toneladas: Festa da Tainha de Praia Grande tem receita guardada a sete chaves por pescador nordestino (Foto: Reprodução)

Festa da Tainha de Praia Grande TV Globo A Festa da Tainha de Praia Grande começou pequena, servia só 200 peixes, durava um único dia e contava com 30 pessoas na preparação. Hoje, quase três décadas depois da primeira edição, virou um dos eventos gastronômicos mais tradicionais do litoral paulista que deve reunir mais de 100 mil pessoas. Para alimentar essa galera toda, a organização se prepara para trabalhar com 24 toneladas de peixe. A 27ª edição acontece nos fins de semana de julho, no Pavilhão de Eventos Jair Rodrigues, no bairro Quietude, com entrada gratuita. O prato principal é servido com arroz, farofa e vinagrete e custa R$ 140. A programação inclui música ao vivo, feira de artesanato, espaço kids e outras opções gastronômicas. No meio dessa transformação, há um grupo que estava ali desde o começo e ajuda a explicar por que a festa cresceu sem perder a cara de mutirão. De um lado, voluntários como Luiz Carlos Marono, o fundador da festa. Do outro, pescadores como Raimundo Alves Neto, de 75 anos, que saiu do Rio Grande do Norte, aprendeu a pescar em Praia Grande, atravessou décadas no mar e hoje é um dos responsáveis pelo tempero da tainha servida na telha. Para Marono, a festa se sustenta na memória, na amizade, no trabalho pesado e em uma receita tratada quase como patrimônio. “Se eu fosse traduzir em uma palavra, seria amor”. Raimundo na Festa da Tainha TV Globo Do amadorismo à tradição em PG Entre a primeira edição, em 1998, e a estrutura atual, a festa mudou de endereço, cresceu em dias de funcionamento e foi ganhando musculatura. “Em 1998, a gente era bem amador”, resume Marono. “Com certeza, toda a estrutura que nós temos em termos de Festa da Tainha foi se modificando ano a ano.” Naquele início, o evento usou "apenas" 350 kg de peixe e alimentou 700 pessoas. “Mas o tempero continua sendo o mesmo”, garante Marono. “Ele foi feito por várias mãos. Cada um dos membros deu uma opinião, e a gente foi construindo esse tempero de uma forma que ele passou a ser o grande diferencial nas tainhas que são servidas dentro da região.” “Você trabalhar com alimento é uma forma de você também trabalhar com amor. Porque, quando você faz o alimento para uma pessoa, se você fizer bem feito, com certeza essa pessoa vai se sentir feliz e vai estar bem nutrida.” O pescador que aprendeu a respeitar o mar Na Festa da Tainha de Praia Grande, Raimundo Alves Neto é quem melhor representa o mar e a mão de quem conhece o peixe antes mesmo de ele chegar à mesa de quem prestigia o evento. “Para mim, a pescaria é tudo”, enfatiza. Raimundo começou a pescar nos anos 1960, numa época em que a tecnologia quase não existia no seu ofício. Pescava de tamanca, uma espécie de prancha de madeira movida a remo — basicamente um stand-up paddle "raiz". “A pescaria de tamanca era uma pranchinha pequena, no remo. De primeiro, todo mundo só usava aquilo lá, que não tinha embarcação, motores”, conta. Initial plugin text Quando fala da pescaria, Raimundo fala também de amizade, de corpos que o mar levou, de companheiros que morreram e de situações que marcaram sua vida. Em uma delas, nos anos 1980, o pescador diz ter visto a morte de perto depois que o vento quebrou a corda de sua lancha durante uma operação de socorro a outro barco. O homem do tempero Mas na Festa da Tainha a história é só de alegria. Raimundo está na linha de frente do evento há 14 anos. Foi convidado pelos organizadores e acabou assumindo uma das tarefas mais valorizadas: limpar, temperar e ajudar a servir o peixe. Segundo ele, toda a tainha que vai ao salão passa por suas mãos em diversos momentos: na etapa do vinho, do tempero, do descanso e do envio aos clientes. “Põe aí 24 toneladas. Toda essa tainha passa na minha mão uma média de quatro vezes.” O segredo do sabor é guardado a sete chaves por ele, que explica apenas o suficiente para provocar o apetite: vinho, limão, sal, salsinha, cebola, tempero seco e um descanso de dois do peixe com a barriga para cima. “Se eu passar a receita, acaba toda a graça da festa", brinca o pescador. O preparo da tainha servida em Praia Grande segue um ritual próprio. Depois de sair do contêiner, o peixe vai para a brasa. Fica alguns minutos com a barriga virada para cima, depois muda de lado, vira novamente e segue para a etapa final, já pronta para ser montada e levada ao público. Servida na telha e acompanhada de arroz, vinagrete e farofa de camarão, a tainha chega fumegando à mesa. Raimundo revela que, no último dia da festa do ano passado, foram feitos 900 quilos de arroz e 800 kg de camarão usado na farofa. Tainha na telha Reprodução Festa criada para ajudar Hoje, a verba é direcionada ao Fundo Social de Solidariedade do município e a projetos ligados à geração de renda, além de obras de construção ou adaptação de imóveis usados em ações sociais. Um dos braços mais conhecidos desse retorno à comunidade é o banco de óculos. A estimativa da organização é que cerca de 4 mil crianças tenham sido beneficiadas entre 2011 e 2026. SERVIÇO: 27ªFesta da Tainha de Praia Grande 📅 Quando? Sábado (25) e domingo (26) 📍 Onde? Pavilhão Jair Rodrigues - Rua Savério Fittipaldi, 78 - Praia Grande 💲 Quanto? A tainha na telha custa R$ 140 e serve até 3 pessoas (entrada gratuita)

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