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Eleição no Peru: peruanos vão às urnas em disputa com recorde de 35 candidatos e cenário imprevisível

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Eleição no Peru: peruanos vão às urnas em disputa com recorde de 35 candidatos e cenário imprevisível
Eleição no Peru: peruanos vão às urnas em disputa com recorde de 35 candidatos e cenário imprevisível (Foto: Reprodução)

Eleição no Peru: peruanos vão às urnas em disputa com recorde de candidatos Os eleitores no Peru vão às urnas neste domingo (12) para escolher o futuro presidente, e a única certeza é que só existem incertezas nesta eleição peruana. Dois tipos de números que mostram isso. Um é o número de candidatos: 35 candidatos presidenciais disputando o cargo - um recorde e um sintoma claro de um sistema partidário fragmentado, enfraquecido e desacreditado. O segundo número é ainda mais eloquente: a pulverização das intenções de voto, com os principais candidatos incapazes de romper sequer a barreira dos 20% a poucos dias da eleição. Isto é, ninguém lidera de fato: todos apenas sobrevivem nesta campanha. ➡️Se nenhum dos candidatos atingir metade dos votos, a eleição irá para um segundo turno, previsto para junho (12). Foto mostra publicidade política em Lima, no Peru, em 8 de abril de 2026. País vai às urnas no domingo (12) em eleição com recorde de candidatos presidenciais. Reuters/Angela Ponce Os 3 principais candidatos, todos da direita, são: Keiko Fujimori, Carlos Álvarez e Rafael Lopez Aliaga Reuters/Angela Ponca; Reuters/Leslie Moreno; Reuters/Angela Ponce Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, aparece com 15% das intenções de voto, segundo a pesquisa da Ipsos-Peru 21. É sua quarta tentativa de chegar ao poder, e essa persistência revela que tem uma base eleitoral fiel, mas também mostra a incapacidade do fujimorismo de produzir alternativas. Logo atrás surge Carlos Álvarez, com 8%. Humorista e roteirista, ele é o modelo de "outsider" levado ao extremo: define-se simultaneamente como "de direita, de esquerda e de centro" e propõe medidas como a pena de morte, além da retirada do país da Convenção Americana de Direitos Humanos. Em seus calcanhares está Rafael López Aliaga, com 7%. Ex-prefeito de Lima e representante de uma direita ultraconservadora. Católico fervoroso, ele próprio diz que se autoflagela com um cilício para não cair na tentação sexual e ele próprio diz que não tem relações sexuais desde 1981. Mas, para fazer o cenário mais intrincado ainda, está o empresário e ex-prefeito de Lima, Ricardo Belmont, de 80 anos, que estaria em empate técnico entre Álvarez e Aliaga, segundo alguns levantamentos. E devido à essa atomização dos votos, o Parlamento que despontar destas eleições também será composto por pequenos grupos, o que fará que o próximo presidente não conte com maioria própria. Peru elege novo presidente em meio à crise política profunda Histórico de crises políticas O Peru teve 9 presidentes nos últimos 10 anos: 3 eleitos e 7 interinos. O presidente que será eleito será o décimo em uma década. Todos os presidentes eleitos neste século foram para a prisão por escândalos de corrupção e um por ter tentado um autogolpe de Estado. E um dado de realismo fantástico: os retratos oficiais do penúltimo presidente, José Jerí, ficaram prontos justamente na semana de sua destituição. Foram entregues nos ministérios minutos depois de o Congresso votar o impeachment dele. Os quadros mal chegaram, e o presidente já tinha ido embora. Qual é o motivo de tanta instabilidade na política peruana? O Peru tem um sistema peculiar, que não é presidencialista nem parlamentarista. É um bizarro mix. Quando um presidente tem maioria parlamentar, não ocorrem problemas, tal como foi entre os anos 2000 e 2016 com Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Alan García. Todos tiveram maioria parlamentar. E por isso governaram com tranquilidade. No entanto, entre 2015 e 2016 começaram a surgir diversos escândalos de corrupção que afetaram os grandes partidos políticos. Nesses anos, os ex-presidentes Toledo, Humala e García foram acusados de corrupção pela edição peruana do caso Odebrecht. Toledo fugiu do país para os Estados Unidos. Posteriormente foi extraditado, julgado em Lima e agora está preso; Humala está preso; e Alan Garcia, quando a polícia chegou para detê-lo, preferiu se suicidar. Em 2016 meio à crise dos partidos políticos, a presidência passou para Pedro Pablo Kuczinzky, que foi eleito sem contar com maioria parlamentar. Foi neste momento que começou a fragmentação que ainda assola o país. Em 2018, Kuczsinzky foi destituído em um escândalo que também abalou o principal partido opositor, da família Fujimori. Seu vice tomou posse, mas foi destituído posteriormente. Isso gerou um enfraquecimento imenso dos presidentes perante o Poder Legislativo. O Parlamento ficou acostumado a derrubar presidentes, já que as normas do trâmite de impeachment são rápidas. Em 2021, foi eleito Pedro Castillo, com um partido minoritário no Parlamento. Um ano depois Castillo tentou dar um autogolpe de Estado. Mas, fracassou e foi destituído e preso. Sua vice, Dina Boluarte, tomou posse. Mas sem parlamentar algum para apoiá-la, Boluarte foi destituída no ano passado. Assumiu então José Jerí, que durou 4 meses no cargo, e agora governa interinamente José María Balcázar. Nada no horizonte político indica que essa instabilidade terminará. Ela só tende a permanecer com estas eleições de domingo.

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