Entenda denúncia contra síndico de prédio de corretora desaparecida, em Caldas Novas
Corretora desaparecida fez inúmeras queixas de perseguição contra condomínio O síndico do condomínio no qual a corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos...
Corretora desaparecida fez inúmeras queixas de perseguição contra condomínio O síndico do condomínio no qual a corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, desapareceu há mais de um mês foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás pelo crime de perseguição reiterada, também chamada de stalking, contra ela. A denúncia do MP se baseou em uma série de ações, incluindo agressões físicas e verbais, praticadas por Cleber Rosa de Oliveira ao longo de dez meses, em 2025. Em nota enviada ao g1, a defesa de Cleber informou que ele não é investigado no inquérito policial relacionado ao desaparecimento de Daiane. Em relação à denúncia do MP, os advogados afirmam que todas as condutas do síndico foram tomadas no cumprimento do seu dever legal e que não há provas sobre as alegações apresentadas pelo MP. Leia a íntegra da nota ao final da reportagem. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp De acordo com o promotor Christiano Menezes da Silva Caires, quem assina a denúncia, entre fevereiro e novembro de 2025 Cleber ameaçou a integridade física e psicológica de Daiane por meio de vários atos, como, por exemplo, monitoramento constante e perturbação das suas atividades profissionais e pessoais, atingindo a sua liberdade e privacidade. Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes LEIA TAMBÉM Síndico de prédio onde corretora desapareceu é denunciado, diz advogado Corretora desaparecida: Veja o que se sabe e o que falta esclarecer Corretora de imóveis está desaparecida há quase 1 mês, e família pede ajuda para conseguir informações Segundo o promotor, a série de perseguições teve início após um desentendimento entre eles, em novembro de 2024. Na ocasião, a corretora alugou um apartamento do condomínio localizado bairro Thermal, em Caldas Novas, para duas famílias que totalizavam nove pessoas, número acima do permitido por unidade, segundo as regras condominiais. Daiane era responsável por gerenciar os apartamentos que a sua mãe possuía no prédio, destinados a locações por temporada. "A partir de então, o denunciado passou a perseguir reiteradamente a vítima, usando de sua condição de síndico para tanto, dificultando todo e qualquer requerimento de Daiane ao condomínio", afirmou o promotor. Entre as práticas para dificultar a vida da corretora estavam, por exemplo, solicitações de manutenção fossem feitas de forma presencial, mediante requerimento com assinatura reconhecida em cartório. De acordo com o MP, o síndico também monitorava toda a movimentação de Daiane e dos seus hóspedes pelo condomínio, por meio do sistema de vigilância por câmeras, enviando as imagens para a irmã dela. "Não bastasse, há elementos indicativos de que CLEBER também sabotava os serviços de água, internet, gás e eletricidade dos apartamentos geridos por Daiane, fechando registros, desligando padrões de energia e desconectando cabos", afirmou o promotor. A denúncia apresentada pelo MP não tem relação com o desaparecimento de Daiane, que ocorreu no dia 17 de dezembro de 2025. A Polícia Civil investiga o caso sob sigilo, para não comprometer o andamento das investigações. O que é 'stalking' A tipificação do crime de perseguição ocorreu há apenas cinco anos, pela sanção da Lei federal 14.132, que alterou o Código Penal. Também conhecida como "stalking", a prática consiste na perseguição reiterada, seja de forma presencial ou virtual. A lei prevê prisão de seis meses a dois anos, além de multa, mas a pena pode ser aumentada pela metade em alguns casos, como, por exemplo, se a vítima for criança, adolescente, idoso ou mulher. Leia a íntegra da nota dos advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, responsáveis pela defesa de Cleber Rosa de Oliveira: "A defesa técnica do Sr. Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, representada pelos advogados infra-assinados, vem a público prestar esclarecimentos em virtude das recentes notícias veiculadas sobre o desaparecimento da Sra. Daiane Alves Souza. É fundamental pontuar, primeiramente, que o Sr. Cléber não figura como investigado no inquérito policial em curso. O administrador mantém postura colaborativa com as autoridades, fornecendo todas as informações e acessos necessários, certo de que a elucidação dos fatos é de interesse coletivo. Em relação ao histórico de conflitos entre as partes, esclarece-se que as divergências existentes sempre foram tratadas pelo Sr. Cleber dentro da estrita legalidade e da via institucional adequada, qual seja, o Poder Judiciário. Nesse sentido, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia em desfavor da Sra. Daiane pela prática do crime de violação de domicílio (art. 150 do Código Penal), episódio no qual o Sr. Cléber figurou como vítima. Tal circunstância evidencia que o referido síndico sempre buscou o amparo das autoridades competentes para a resolução de conflitos, distanciando-se de qualquer pessoalidade. Igualmente, cumpre abordar a recente denúncia oferecida em desfavor do Sr. Cléber pela suposta prática do crime previsto no art. 147-A do Código Penal. Sobre este ponto, a defesa esclarece que todas as condutas do Sr. Cléber se deram no estrito cumprimento de seus deveres legais e estatutários na condição de síndico, visando única e exclusivamente a manutenção da ordem condominial. As alegações contidas na referida denúncia são desprovidas de provas materiais, sustentando-se exclusivamente na versão unilateral apresentada pela Sra. Daiane. A defesa reitera que a inocência do Sr. Cléber será devidamente comprovada durante a instrução processual, momento em que ficará demonstrada a regularidade de sua atuação administrativa. Por fim, a defesa solicita serenidade e responsabilidade na divulgação de informações, evitando-se especulações e insinuações que, desprovidas de lastro probatório, possam injustamente atingir a honra e a intimidade de um cidadão e pai de família que sempre esteve e permanece à disposição da Justiça". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.