Ex-gerente de Controle do Rioprevidência administrou fundo de Itaguaí e liberou aplicações no Master
Fernanda Pereira Reprodução/RJ2 Responsável pelo Setor de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, a advogada Fernanda Pereira da Silva Machado deixo...
Fernanda Pereira Reprodução/RJ2 Responsável pelo Setor de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, a advogada Fernanda Pereira da Silva Machado deixou de cuidar da fiscalização dos atos no fundo do Estado do Rio para assumir a presidência do Itaprevi, o Instituto de Previdência de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio. O estado do Rio foi o maior investigador no banco de Daniel Vorcaro entre os fundos de previdência. Mas o Itaprevi colocou cerca de 20% do seu patrimônio nas letras financeiras do Master sob a gestão da advogada. A aplicação não tem proteção do fundo garantidor de crédito. Ou seja, quem deveria cuidar dos atos do Rioprevidência estava no esquema, de acordo com a Polícia Federal. Procurada, a defesa de Fernanda Pereira não retornou o contato da reportagem. As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no fundo que garante o sustento de mais de 200 mil aposentados e pensionistas no Rio de Janeiro. Coube a Fernanda Pereira, de acordo com a Polícia Federal, assinar o atestado de credenciamento fraudulento do Banco Master, além de viabilizar operações irregulares, sem as análises técnicas obrigatórias. A atuação da advogada, conforme o relato dos investigadores, em vez de "concretizar o controle interno exigido pela função contribui para legitimar formalmente investimentos sem suporte técnico idôneo e em afronta ao dever de evitar resultados danosos ao patrimônio previdenciário". RioPrevidência Reprodução O total aplicado pelo Rioprevidência no Master chega a quase R$ 3, 7 bilhões, segundo a investigação. Isso representa quase dois meses da folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Até esta terça-feira (26), o Rioprevidência não admitia o montante investido no Master. Reconhecia apenas a aplicação de R$ 970 milhões em letras financeiras. Depois admitiu que, em dezembro de 2025, fez o resgate de R$ 1,4 bilhão de um fundo gerido pelo Master. Ainda não explicou sobre o restante do dinheiro. Nenhum estado ou município investiu mais no banco de Daniel Vorcaro do que o Fundo de Previdência do Estado do Rio de Janeiro. Fernanda Pereira chegou ao Itaprevi em junho de 2024. Já neste mês tiveram início os aportes: foram R$ 62 milhões entre junho e julho. Fernanda Pereira foi alvo da operação desta terça-feira (26) que fez buscas contra ex-gestores do Rioprevidência e também contra o ex-governador Cláudio Castro. Daniel Vorcaro Segundo a investigação, a atuação de Cláudio Castro não se limitou a contatos institucionais com Daniel Vorcaro. "Envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master com encontros frequentes bancados por Vorcaro e com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência", de acordo com a investigação. "Portanto, segundo a representação, a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência". TCE aponta diferença de quase R$ 20 milhões em operações ligadas ao Banco Master intermediadas pela Planner no RJ O que dizem os citados O Rioprevidência informou que não há risco para o pagamento dos benefícios de aposentados e pensionistas e que segue adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para a recuperação dos recursos aportados em fundos relacionados ao Banco Master. Desde terça-feira (26), o RJ2 pediu esclarecimentos sobre o valor apontado pela investigação e o dinheiro resgatado, mas o Rioprevidência mais uma vez não respondeu sobre isso. O Itaprevi disse que a atual gestão, assim que tomou conhecimento dos fatos, vem adotando todas as medidas judiciais cabíveis. E que se habilitou na liquidação extrajudicial do Banco Master, visando a reparação do patrimônio investido.