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Fábrica mantém tradição e confecciona cerca de 400 'Judas' para serem queimados na Bahia

Baianos mantém tradição da queima do judas Uma fábrica localizada no bairro do Pau Miúdo, em Salvador, tem mantida viva, há mais de seis décadas, a tradi...

Fábrica mantém tradição e confecciona cerca de 400 'Judas' para serem queimados na Bahia
Fábrica mantém tradição e confecciona cerca de 400 'Judas' para serem queimados na Bahia (Foto: Reprodução)

Baianos mantém tradição da queima do judas Uma fábrica localizada no bairro do Pau Miúdo, em Salvador, tem mantida viva, há mais de seis décadas, a tradição de confeccionar os bonecos de "Judas", que são "malhados" (agredidos) ou queimados dentro dos costumes da Semana Santa. Somente neste ano, cerca de 400 exemplares foram encomendados para várias partes do estado. Criado pelo fabricante de fogos Florentino Moreira Sales, o estabelecimento ficou sob os cuidados de seus antigos ajudantes desde 2006, quando Florentino Fogueteiro, como era mais conhecido, morreu. "Ele fez um pedido para que a gente não deixasse morrer a tradição. E a gente tem tentado até hoje", destaca Fernando Encarnação em entrevista ao g1. Atualmente, o boneco custa a partir de R$ 350, podendo ficar mais caro, a depender das características pedidas. O "Judas" é construído com papel, goma e madeira. Para enfeitar, são usadas as mais diversas peças de roupas, desde camisas de botão a uniformes de times. Os fogos de artifício ficam nos pés e garantem um show à parte da tradição. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Mas esse é um movimento que tem se perdido ao longo dos anos, conforme apontam os sócios da fábrica e o historiador Jaime Nascimento. No passado, Jean Neiva lembra já ter entregado cerca de mil bonecos — 600 a mais que em 2026. Apesar disso, ele comemora: "Graças a Deus, tem sido ótimo. A gente pensou que não seria esse ano". Fábrica em Salvador segue tradição de confeccionar "Judas" para serem queimados Reprodução/TV Bahia Para o historiador, vários motivos contribuem para a baixa procura. Entre as razões está a queda da mobilização popular, já que a maioria das pessoas quer viajar no período e acaba perdendo o momento com os vizinhos. Nascimento aponta também a diminuição da força do catolicismo e de como ele é praticado. Como exemplo, cita os banquetes feitos no estado na Sexta-feira Santa, quando, por tradição, o dia deveria ser de jejum. Outros pontos são a falta do financiamento político e o crescimento de outras tradições, como o "baba de saia" ou "baba do vinho", que são os jogos de futebol protagonizados por homens vestidos com roupas femininas, normalmente ocorridos na Semana Santa. "Isso foi mudando à medida que os hábitos da sociedade, no geral, foram se transformando. As pessoas já não falavam na Semana Santa, elas se preocupavam com o feriadão". Entenda a tradição Fábrica em Salvador segue tradição de confeccionar "Judas" para serem queimados Reprodução/TV Bahia Segundo o historiador Jaime Nascimento, a manifestação popular surgiu por influência do catolicismo e de Portugal, mas não há um ano exato de quando isso ocorreu. O evento acontece sempre no Sábado de Aleluia. Na Bahia, é mais comum incendiar os bonecos, mas, em outros lugares, eles são destruídos a pauladas. "O que existe é o pensamento católico da condenação ao papel desempenhado pelo apóstolo Judas Iscariotes na traição a Jesus Cristo, na venda dele, por 30 moedas de prata, que termina levando ele à crucificação. Então, durante os séculos, foi-se formando essa aversão à figura e sempre com a condenação e associação a coisas ruins", contextualizou. Nascimento lembra ainda que, no passado, outras coisas eram associadas ao apóstolo. "Para além da prática de malhar ou queimar, por exemplo, ser canhoto, por muito tempo, foi associado a Judas ou então ao demônio, que se equivalia". Com o passar dos anos, se tornou comum colar os rostos de pessoas indesejadas. Entre eles, políticos e criminosos. Além do "Judas" a ser malhado ou queimado, um testamento também acompanha o rito. "Meus senhores e minhas senhoras, meu corpo será queimado para que nada reste desse ser maldito do norte e nordeste. Tudo para mim terminou no crime contra Jesus, que por minha traição morreu por nós na cruz. Mas, voltando ao assunto, dou todos os meus bens. Quero lembrar de todos, sem esquecer de ninguém", diz a introdução do documento fictício que ganha versões a depender de quem encomendar. Fábrica em Salvador segue tradição de confeccionar "Judas" para serem queimados Reprodução/TV Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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