Haddad diz que Brasil é 'grande demais para ser quintal' e defende parceria 'madura' com os EUA após queda de tarifas
Trump assina decreto com nova tarifa global de 10% depois que a Suprema Corte considerou o tarifaço do ano passado ilegal O ministro da Fazenda, Fernando Hadda...
Trump assina decreto com nova tarifa global de 10% depois que a Suprema Corte considerou o tarifaço do ano passado ilegal O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Na sexta-feira (20), a Corte decidiu que Trump extrapolou os poderes da Presidência ao aplicar tarifas com base em uma lei de 1977. Com a decisão, deixam de valer as sobretaxas de 40% que atingiam 22% das exportações brasileiras. Após o revés no tribunal, Trump anunciou uma tarifa global de 10%, que deve passar a valer também para produtos brasileiros. Segundo Haddad, a competitividade do Brasil não será afetada. Em entrevista na Índia, o ministro afirmou que o país está construindo uma “ponte robusta” para restabelecer a relação com os Estados Unidos e disse acreditar que o processo deve se acelerar. “Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, afirmou. “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo.” Mais cedo, Haddad afirmou que o Brasil agiu “de forma impecável” enquanto as tarifas estavam em vigor e disse que a decisão da Suprema Corte dos EUA favorece os países afetados pela medida. LEIA TAMBÉM Alckmin diz que decisão da Suprema Corte dos EUA é 'importante' para o Brasil e que tarifa global de 10% preserva competitividade Decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas é uma vergonha, diz Trump Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as tarifas para o Brasil O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante evento na Índia Ricardo Reichhardt/TV Globo Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, ele aplicou uma sobretaxa de 40%, levando o total a 50%. A medida veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Ficaram fora da sobretaxa itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto. Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de outros produtos, como café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, Trump afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. Com a decisão da Suprema Corte e o novo anúncio feito nesta sexta-feira, o resultado final é uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos brasileiros, segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma. Ele ressalta que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados. VÍDEOS: mais assistidos do g1