Interpol oferece apoio nas buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal, diz advogada da família
Crianças desaparecidas em Bacabal Reprodução/Redes Sociais A Interpol ofereceu apoio às buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, d...
Crianças desaparecidas em Bacabal Reprodução/Redes Sociais A Interpol ofereceu apoio às buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão. A entrada da organização no caso não significa, porém, que as crianças tenham sido encontradas ou que estejam entre as 163 crianças resgatadas em uma operação nos Estados Unidos. O Núcleo de Cooperação Internacional da Interpol entrou em contato com a advogada Nathaly Moraes, que representa Clarice Cardoso, mãe dos irmãos, e colocou à disposição ferramentas de cooperação internacional que podem auxiliar nas buscas, inclusive em outros países, e em um eventual processo de repatriação caso as crianças sejam localizadas fora do Brasil. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp As crianças desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. Desde então, não há informações sobre o paradeiro dos irmãos. Segundo a advogada Nathaly Moraes, o contato da Interpol foi feito nesta semana e representa o primeiro apoio direto da organização ao caso. “Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, afirmou Nathaly. Ainda de acordo com a advogada, os recursos oferecidos pela organização podem auxiliar tanto na localização das crianças quanto em procedimentos internacionais. “Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado”, disse. Clarice Cardoso deve chegar em São Luís nesta terça-feira (9), onde terá uma reunião na sede da Polícia Federal com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional para entender como será a atuação da Interpol no caso. “Vamos fazer esse alinhamento com o Núcleo de Cooperação Internacional e entender como é que essas ferramentas da Interpol funcionam”, explicou a advogada. Pedido de atuação da Polícia Federal Nathaly Moraes afirmou que já havia solicitado anteriormente que a investigação fosse transferida da Polícia Civil para a Polícia Federal, por considerar a possibilidade de envolvimento em um caso de tráfico humano. “Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles”, afirmou. Segundo ela, a nova manifestação do Núcleo de Cooperação Internacional representa uma mudança no apoio recebido até o momento. “Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperações Internacionais entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar, porque até então nós não tínhamos apoio da Interpol, de maneira nenhuma”, disse. Crianças resgatadas nos Estados Unidos A entrada da Interpol no caso não significa que Allan e Ágatha tenham sido encontrados ou que estejam entre as 163 crianças resgatadas em uma operação nos Estados Unidos. A advogada informou que o acompanhamento dessa situação está sendo feito pelo Consulado Brasileiro, que mantém contato com autoridades americanas. “Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas”, explicou. A atuação da Interpol representa um reforço nas buscas e abre a possibilidade de cooperação internacional caso surjam pistas de que as crianças possam estar em outro país. Crianças estão desaparecidas há oito meses Irmãos desaparecidos em Bacabal completam oito meses sem pistas O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou oito meses na última sexta-feira (4), sem informações sobre o paradeiro das crianças. Eles desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. Para a mãe, Clarice Cardoso, a vida parou desde o dia em que os filhos desapareceram. Apesar da falta de respostas, ela afirma que mantém a esperança de reencontrá-los. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, disse. Ao longo dos últimos oito meses, o caso mobilizou forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional. No entanto, nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças foi divulgada até o momento. A última visita de representantes do Congresso Nacional à comunidade ocorreu em maio. O grupo fazia parte da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, criada semanas antes. Com autorização para realizar diligências, vistorias técnicas e acompanhar denúncias graves no país, os parlamentares vieram ao Maranhão para ouvir a mãe das crianças e autoridades responsáveis pela investigação. LEIA TAMBÉM: Uma das três crianças que estavam desaparecidas é encontrada com vida no Maranhão Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA Crianças desaparecidas no Maranhão: veja cronologia do caso Família mantém esperança Os avós maternos, que moram ao lado da casa de Clarice, também tentam enfrentar a saudade com a esperança de que os netos estejam vivos. “A esperança nunca acaba, porque se tivesse acontecido alguma coisa, a gente já tinha uma resposta. A esperança sempre é de encontrar. ”, disse José Emídio Prego Reis, avô das crianças. A avó Francisca Cardoso acredita que os netos podem ter sido levados por alguém. Segundo ela, o barulho de helicópteros ainda provoca lembranças das operações realizadas na comunidade. “A esperança para mim nunca morreu. A gente chora, tem dia que a gente dorme bem, tem dia que a gente não dorme, é assim. Na minha mente eles foram levados. Alguém está com eles, escondido. E bem escondido, porque você não acha nada, ninguém não vê, ninguém não comunica nada”, disse. Primo foi encontrado três dias depois Menino de 8 anos foi encontrado na tarde desta quarta-feira (7), na zona rural de Bacabal. Reprodução/TV Mirante Ágatha e Allan desapareceram após saírem para brincar com o primo Anderson Kauã, de 8 anos, que é autista. O menino foi encontrado com vida por moradores três dias depois, a cerca de quatro quilômetros do local onde as crianças desapareceram. Segundo o pai, apesar do acompanhamento psicológico, Anderson ainda não consegue explicar o que aconteceu após o grupo entrar na mata. Após receber alta médica, Anderson participou da reconstituição do caminho percorrido pelas três crianças, com autorização da Justiça. Segundo o relato do menino, o grupo saiu para procurar um pé de maracujá e entrou por outro caminho na mata para não ser visto por um tio. Anderson também indicou uma cabana abandonada, conhecida como “casa caída”, próxima ao Rio Mearim, onde as crianças teriam passado. Buscas mobilizaram cerca de 2 mil pessoas Comunidade mobilizada: centenas ajudam nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA) Reprodução/ TV Mirante O desaparecimento mobilizou policiais civis e militares, bombeiros, integrantes das Forças Armadas e voluntários. Ao todo, cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas por terra e água. As equipes utilizaram helicópteros, drones, cães farejadores, mergulhadores e equipamentos de sonar. As varreduras passaram por áreas de mata fechada, rios, lagos e pelas margens do Rio Mearim, mas nenhum vestígio das crianças foi encontrado. Objetos e roupas também chegaram a ser localizados durante as operações. A família e a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informaram, porém, que os materiais não pertenciam às crianças. As buscas em campo foram reduzidas após as equipes percorrerem a área delimitada pela investigação. A apuração passou a se concentrar no trabalho investigativo. Investigação continua Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que os trabalhos para localizar Ágatha e Allan continuam. O órgão afirmou que não pode divulgar detalhes porque a investigação está sob segredo de Justiça. A secretaria também reforçou que informações que possam ajudar a localizar as crianças podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar. Nos últimos meses, publicações falsas nas redes sociais afirmaram que as crianças teriam sido encontradas ou que seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. Também circularam relatos falsos sobre confrontos e mortes de agentes públicos. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que conteúdos falsos ou sem confirmação podem prejudicar a investigação e ampliar o sofrimento da família. INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão Arte/g1