Irã anuncia morte de sete militares em bombardeio dos EUA; troca de ataques continua
Um ataque de mísseis dos Estados Unidos matou sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr, no extremo sudeste do Irã, nesta quarta-...
Um ataque de mísseis dos Estados Unidos matou sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr, no extremo sudeste do Irã, nesta quarta-feira (15), informou o Exército do país. O anúncio ocorre em meio à intensificação dos confrontos entre os dois países e a volta do bloqueio militar norte-americano aos portos iranianos para tentar manter a navegação aberta no Estreito de Ormuz. Apesar dos esforços, nesta quarta, a Guarda Revolucionária do Irã voltou a afirmar que a rota permanecerá fechada até que os “atos de agressão” dos EUA parem. “As operações de represália dos combatentes continuarão, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos ponham fim aos seus atos de agressão”, afirma comunicado divulgado pela televisão estatal Irib. Foi a a quarta noite consecutiva de bombardeios americanos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que as Forças Armadas americanas lançaram "uma nova série de ataques contra dezenas de alvos militares" iranianos na noite desta terça-feira (14). O Irã confirmou os bombardeios em larga escala desde a noite desta terça - em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm - no Estreito de Ormuz - e na cidade de Ahvaz, no sudeste do país - e respondeu nesta quarta com ataques a alvos ligados aos EUA em vários países do Golfo. Um deles foi a instalações utilizadas pela Quinta Frota dos EUA no Bahrein, informou a televisão estatal. "O Centro de Gerenciamento da NSI, o Centro de Comando e Controle, os principais depósitos de peças e equipamentos militares e as instalações de armazenamento de combustível da Quinta Frota dos EUA no Bahrein foram destruídos", disseram os membros da Guarda Revolucionária em um comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB. As forças armadas do Bahrein confirmaram ter interceptado vários dos mísseis iranianos e condenou a ofensiva: "O Comando Geral das Forças de Defesa do Bahrein anuncia que o Irã continua sua abordagem hostil sistemática por meio de ataques criminosos contra civis. O Kuwait, atingido na terça-feira por mísseis e drones que feriram quatro militares, relatou novos ataques de drones nesta quarta-feira. O Irã anunciou que bombardeou o centro logístico kuwaitiano de Mina Abdullah, utilizado pelo Exército americano. O Exército da Jordânia afirmou que derrubou três mísseis lançados pelo Irã que, segundo a televisão estatal iraniana, lançou drones contra hangares na base Al Azraq e uma instalação que abriga caças F-18. A retomada do bloqueio naval dos EUA, em vigor desde às 17h desta terça em Brasília, e a intensificação dos bombardeios minam os esforços diplomáticos para fazer respeitar o protocolo de acordo assinado em 17 de junho pelos Estados Unidos e pelo Irã, que ratificava o cessar-fogo de abril. Com o retorno do bloqueio naval americano, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que Washington "desmantelou" o protocolo de acordo. Washington também anunciou sanções contra a rede de petroleiros do magnata Mohammad Hossein Shamkhani, acusado de facilitar as exportações de petróleo iraniano, assim como o congelamento de 130 milhões de dólares (659 milhões de reais) em criptomoedas vinculados ao Banco Central iraniano. Além do impacto sobre o comércio mundial, a ONU expressou preocupação com as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio da "rota de passagem essencial da qual dependem milhões de pessoas". Vários petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz, ações que deixaram pelo menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira, segundo a Organização Marítima Internacional.