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Lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos gera debate nas redes sociais em Campo Grande

Campo Grande sanciona lei que restringe uso de banheiros femininos A sanção de uma nova lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em C...

Lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos gera debate nas redes sociais em Campo Grande
Lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos gera debate nas redes sociais em Campo Grande (Foto: Reprodução)

Campo Grande sanciona lei que restringe uso de banheiros femininos A sanção de uma nova lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em Campo Grande provocou repercussão e acirrou o debate entre vereadores, movimentos sociais e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Publicada nesta quarta-feira (22) no Diário Oficial do município (Diogrande), a medida passou a valer imediatamente e divide opiniões. A lei faz parte da “Política Municipal de Proteção da Mulher” e determina que banheiros femininos sejam usados apenas por “mulheres biológicas”. O texto também prevê que testes de aptidão física em seleções e concursos públicos municipais sigam critérios de “igualdade de condições biológicas”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A proposta foi apresentada pelo vereador André Salineiro (PL) e aprovada pela Câmara Municipal no dia 26 de março, por 13 votos a 11. Embate político e social Desde que foi aprovado, o projeto já provocava discussões no plenário e mobilização de grupos favoráveis e contrários. Com a sanção da prefeita Adriane Lopes (PP), o debate voltou a ganhar força e passou a envolver temas como segurança, direitos e identidade de gênero. Nas redes sociais, o autor da lei afirmou que a medida atende a uma demanda de mulheres que dizem se sentir constrangidas e inseguras em espaços públicos "[...] Esse projeto nasceu da realidade de situações que já estavam acontecendo de mulheres constrangidas, inseguras, sem saber a quem recorrer [...]", disse Salineiro, em vídeo publicado nas redes sociais. Já representantes do movimento trans e da Ordem dos Advogados do Brasil afirmam que a lei é discriminatória e pode ser inconstitucional. "É inconstitucional. Fere os meus direitos e os garantidos pela Constituição Federal Brasileira, projeto esse que vai contra as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), que respeita as identidades de gênero [...]", destacou Emy Santos, representante da Associação de Trans e Travestis de Mato Grosso do Sul (ATTMS). Associação trans fala em violação de direitos Emy Santos criticou a medida e classificou o projeto como uma forma de estimular preconceitos e estereótipos contra pessoas trans. Ela afirmou ainda que o debate desvia o foco de problemas da cidade, como transporte público lotado, falta de medicamentos e buracos nas ruas. Vereador diz que lei protege mulheres André Salineiro comemorou a sanção e disse que o projeto enfrentou resistência e debates intensos durante a tramitação. Segundo ele, a lei busca garantir “respeito, segurança e privacidade da mulher biológica”. O vereador afirmou ainda que já houve casos de constrangimento e que a proposta trata de uma necessidade prática, e não ideológica. Salineiro também afirmou que outros parlamentares do país demonstraram interesse em aplicar a proposta em seus municípios. OAB vê risco de inconstitucionalidade Ao g1, a presidente da Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Janaina Menezes, criticou a lei. Ela afirmou que a norma tem “vícios jurídicos insanáveis” e pode violar a dignidade da pessoa humana. Também disse que o texto pode contrariar entendimentos já firmados pelo STF e tratados internacionais. Segundo Janaina, a comissão deve adotar medidas para contestar a lei. Para ela, a proteção às mulheres não pode ser usada como justificativa para excluir outras identidades. Tema divide Campo Grande A lei reforça um debate que tem crescido em várias cidades do país: regras sobre o uso de espaços públicos com base no sexo biológico, criticadas por grupos que defendem o reconhecimento da identidade de gênero. Enquanto apoiadores afirmam que a norma aumenta a segurança e a privacidade das mulheres, opositores dizem que a medida pode ampliar o risco de violência e constrangimento contra pessoas trans em locais públicos. Com a lei em vigor, o tema deve seguir gerando debate político e jurídico em Campo Grande. Há expectativa de que a norma seja questionada na Justiça nos próximos dias. Bandeira Trans Celso Tavares/g1 Veja vídeos de Mato Grosso do Sul

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