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MP Militar cita 'descaso' com preceitos éticos básicos ao justificar pedido de expulsão de Bolsonaro

O Ministério Público Militar pediu a expulsão das forças armadas de Jair Bolsonaro O Ministério Público Militar apontou ao Superior Tribunal Militar (STM)...

MP Militar cita 'descaso' com preceitos éticos básicos ao justificar pedido de expulsão de Bolsonaro
MP Militar cita 'descaso' com preceitos éticos básicos ao justificar pedido de expulsão de Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O Ministério Público Militar pediu a expulsão das forças armadas de Jair Bolsonaro O Ministério Público Militar apontou ao Superior Tribunal Militar (STM) oito elementos que mostram "descaso" do ex-presidente Jair Bolsonaro com "preceitos éticos" mais básicos do Estatuto dos Militares, que impõe conduta irrepreensível aos integrantes das Forças Armadas. As condutas são listadas pelo MPM para pedir que o STM declare a perda do posto e da patente de Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército. Leia também: Bolsonaro pode perder patente? O que esperar de julgamento de ex-presidente e outros comandantes militares no STM A ação é um desdobramento da condenação do ex-presidente e seus aliados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na chamada trama golpista. A Corte entendeu que Bolsonaro liderou uma organização criminosa que agiu para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes como golpe de estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. O que diz a Constituição? A Constituição prevê a declaração de indignidade para o oficialato para o militar que for condenado com uma pena restritiva de liberdade individual superior a dois anos e com decisão transitada em julgado (sem chance de recursos). A punição é a perda de posto e patente. O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, narrou ao STM as condutas de Bolsonaro que foram consideradas crimes pelo Supremo. Destacou o ineditismo do caso, sendo que é a primeira vez que vai discutir a expulsão das Forças por crime contra a democracia. Segundo Bortolli, Bolsonaro "não teve pudor para, valendo-se de estruturas do Estado, inclusive armadas, voltar-se, ao menos por um ano e meio, e através de grave ameaça e violência, contra o funcionamento regular dos Poderes Constitucionais e contra o governo democraticamente eleito". Segundo o MPM, entre as transgressões disciplinares estão violações: ➡️Ao dever de probidade e o de “proceder de maneira ilibada na vida pública”, por constituir e chefiar uma organização, com autoridades do Estado brasileiro, e valer-se da estrutura pública para alcançar objetivos inconstitucionais; ➡️Ao respeito à “dignidade da pessoa humana”, por tentar conduzir o país a um novo período de exceção democrática, que é qualquer coisa menos a busca de realização desse princípio fundante da República Federativa do Brasil. ➡️Ao cumprimento das “leis” e das “ordens das autoridades competentes”, pois reiteradamente promovia "conchavos" com os demais integrantes da organização criminosa, visando o descumprimento da Constituição, que solenemente jurou defender; e dos comandos judiciais provindos da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral. ➡️Ao zelo pelo preparo “moral” próprio, porque, também à luz da expectativa de um comportamento tido como correto, com base em princípios de honestidade e virtude, a conduta do ora Representado espelha um estado de imoralidade. ➡️À prática da “camaradagem” e do “espírito de cooperação”, tendo em vista que a organização que liderava ocupou-se também de promover ataques a “militares que não endossavam o movimento golpista”, com o “objetivo de associá-los à figura de traidores da pátria, suscetibilizando-os até a ações violentas dos apoiadores do golpe. ➡️À discrição “em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada” e a observância das “normas de boa educação”, tendo preferido chamar membros de outro Poder de “canalhas” enquanto esbravejava ameaças e discursos de ódio ou mesmo insinuar, em reunião ministerial gravada, a prática de corrupção por Ministros da Suprema Corte para, mais adiante, em seu interrogatório judicial, dizer que “não tem indício nenhum". ➡️Ao acatamento das “autoridades civis”, porque a organização liderada pelo ora representado buscava inverter a lógica constitucional da submissão do poder militar ao poder civil; ➡️Ao cumprimento de “seus deveres de cidadão”, dentre os quais se destacam o de respeitar a Constituição, as leis e o resultado das eleições. O MPM conclui o relatório afirmando que "em razão da prática das condutas acima destacadas e em razão da condenação criminal imposta pelo Supremo Tribunal Federal, na contramão do que se espera de um oficial das Forças Armadas, o Ministério Público Militar representa a esse colendo Tribunal para que declare o capitão reformado do Exército Brasileiro Jair Messias Bolsonaro indigno para o oficialato e, por conseguinte, condene-o à perda do posto e da patente".

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