Pecuaristas adotam estratégia com ração no pasto para evitar perda de peso do gado na seca em Roraima
Rebanho bovino em Roraima. Naamã Mourão/Rede Amazônica Para manter a produtividade e evitar a perda de peso do gado durante os meses de pouca chuva, produtor...
Rebanho bovino em Roraima. Naamã Mourão/Rede Amazônica Para manter a produtividade e evitar a perda de peso do gado durante os meses de pouca chuva, produtores rurais de Roraima têm investido na Terminação Intensiva a Pasto (TIP). A técnica combina a criação no pasto com o fornecimento de ração no cocho. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (23). 🔎 A TIP é uma estratégia de alimentação usada na fase final de engorda. Diferentemente do confinamento tradicional, em que o gado é retirado do pasto e mantido em currais, os animais permanecem soltos na área de pastagem e recebem ração concentrada no cocho. Nesse sistema, a vegetação atua como fonte de fibra e suporte físico para a digestão do animal, enquanto a ração fornece a energia e a proteína necessárias para o ganho rápido de carcaça. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr), o rebanho bovino do estado ultrapassou 1,3 milhão de cabeças, crescimento de mais de 85% em sete anos. 🐂🐄 Com o crescimento do rebanho, pecuaristas buscam alternativas para aumentar a produção sem ampliar as áreas de pastagem. Em Mucajaí, município no Sul de Roraima, o pecuarista Diezo Müller mantém mais de 1,3 mil hectares destinados à criação de gado de corte. Técnica usada por pecuaristas de Roraima combina criação no pasto e fornecimento de ração concentrada. Naamã Mourão/Rede Amazônica O produtor mantinha o foco voltado exclusivamente para a lavoura de grãos até decidir migrar totalmente para a pecuária intensiva há três anos. "O mercado melhorou muito e as expectativas estão sendo cada dia melhores. Antigamente, havia um pouco mais de dificuldade com relação às escalas de abate, mas hoje conseguimos ter um comércio melhor. A cooperativa da qual fazemos parte e somos sócios também nos ajuda, de modo que conseguimos abater 100% dos nossos animais por lá", diz Diezo. Atualmente, Diezo tem mais de mil cabeças de gado e afirma que a organização do setor e a cooperativa facilitaram o escoamento da produção. O desafio, agora, é preparar o rebanho para os impactos do clima. "As mudanças climáticas são algo que preocupa a todos nós. Está se mostrando uma seca extrema, que já está chegando com força. A nossa maior preocupação é sempre tentar amenizar a questão da lotação da fazenda e nos preocuparmos todos, porque o prejuízo é muito grande se não nos prepararmos antes da chegada dela. Então, já estamos mudando as estratégias da propriedade pensando na seca", afirma ele. Falta de chuva provoca perdas na produção de grãos em Roraima LEIA TAMBÉM: Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro Veja todas as reportagens do agro em Roraima O zootecnista Diógenes Cardoso afirma que a TIP ganhou força em Roraima no último ano devido à maior oferta e à redução no custo de insumos usados na alimentação do gado, como a casquinha de soja peletizada. "Ela foi uma estratégia criada para o período seco, há uns dez anos, para suprir aquele efeito sanfona que acontecia com o boi na época de estiagem, principalmente no Sul e Sudeste onde a boiada perdia peso para depois recuperar no período das águas, para quem não tinha confinamento. Porém, essa Terminação Intensiva a Pasto se mostrou tão viável que hoje é utilizada em todos os períodos do ano", explicou. Apesar dos benefícios, o zootecnista alerta que o sistema exige planejamento financeiro e operacional. Como o consumo de ração é elevado, o produtor precisa armazenar insumos suficientes para manter a alimentação do gado por 70 a 140 dias, dependendo da meta de peso para o abate. "Na TIP, o animal continua no pasto. Tendo a área de cocho dimensionada corretamente, além do pasto, formulamos a ração e chegamos a fornecer de 1,8% a 1,9% do peso vivo do animal em alimento concentrado. Porém, o animal não fica confinado nem sai do seu ambiente natural, o que reduz riscos de doenças. O estresse do animal é menor e ele consegue um ganho de peso e de carcaça igual ou até maior do que em um confinamento, com uma rentabilidade extremamente superior", disse. Roraima Beef Summit A busca por soluções para o período de estiagem e o aprimoramento genético do rebanho serão temas centrais do Roraima Beef Summit 2026, evento técnico marcado para 3 de setembro, no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. 🧬 🐮 O encontro deve reunir pecuaristas, pesquisadores e especialistas para discutir o futuro da produção de carne em Roraima. O médico veterinário Ademir Oliveira, um dos organizadores do evento, afirma que o foco deste ano será a relação entre genética e nutrição. "Para ter um boi de corte de qualidade, precisamos escolher touros de qualidade que vão produzir bezerros de qualidade [...] E, por fim, as estratégias para passar por este período de seca, com suplementação e manejo a pasto, para que o produtor passe pela estiagem sem sofrer tanto com as intempéries", afirmou. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.