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Região Serrana do RJ tem duas moradoras reconhecidas como semi supercentenários

Conceição da Silva Felizardo, de 108 anos, moradora de Cordeiro, Região Serrana. Arquivo Pessoal A Região Serrana do Rio de Janeiro ganhou destaque em pesqu...

Região Serrana do RJ tem duas moradoras reconhecidas como semi supercentenários
Região Serrana do RJ tem duas moradoras reconhecidas como semi supercentenários (Foto: Reprodução)

Conceição da Silva Felizardo, de 108 anos, moradora de Cordeiro, Região Serrana. Arquivo Pessoal A Região Serrana do Rio de Janeiro ganhou destaque em pesquisas sobre envelhecimento humano após dois moradores serem reconhecidos como semi supercentenários por uma organização internacional especializada em longevidade extrema. O reconhecimento ocorre em um momento em que o Brasil chama a atenção da comunidade científica mundial pelos avanços e estudos na área. Os dois casos foram validados pela LongeviQuest, instituição internacional que estabelece critérios científicos para o estudo da longevidade. Entre os reconhecidos está Dona Conceição, que, além do título, integrou uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP), voltada à investigação dos fatores genéticos e biológicos relacionados ao envelhecimento saudável. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Quem encontra os supercentenarios? A LongeviQuest é uma organização americana dedicada ao estudo e à validação da longevidade humana.Referência no assunto, é a maior autoridade mundial no que se refere a pessoas semi-supercentenárias (108 ou 109 anos) e supercentenárias (110 anos ou mais). O processo consiste em identificar, documentar e validar a idade dessas pessoas por meio de pesquisa histórica e análise de documentos oficiais, além de divulgar esses dados de forma científica e responsável. Segundo Iara Souza, pesquisadora da LongeviQuest no Brasil, a rica longevidade brasileira vem ganhando destaque internacional nos estudos sobre o tema, com pesquisas publicadas na revista Genomic Psychiatry e divulgadas por veículos científicos como o EurekAlert. O Projeto DNA Longevo, intitulado formalmente como "Longevidade Saudável: Quais são os segredos?", é uma iniciativa científica do grupo de pesquisa coordenado pela Profa. Mayana Zatz e dedicada a compreender os mecanismos biológicos responsáveis por um envelhecimento saudável. O estudo tem como objetivo traçar e analisar as características genéticas, biológicas e celulares de brasileiros idosos que alcançaram idades avançadas: 90, 100 anos ou mais,mantendo boa saúde. Esses dados de nonagenários e centenários saudáveis serão confrontados com os de pessoas da mesma faixa etária, ou até mais jovens, que apresentaram fragilidade, comprometimento cognitivo ou enfermidades crônicas. A partir dessa comparação, os pesquisadores pretendem identificar os fatores distintivos e compreender os mecanismos que explicam a capacidade de resistência desses indivíduos aos efeitos do envelhecimento. Segundo o site da pesquisa “A expectativa é identificar variantes genéticas e epigenéticas raras ou mecanismos biológicos que conferem resiliência, impulsionando a medicina de precisão e o desenvolvimento de estratégias que promovam uma vida mais longa e com melhor qualidade para todos.” A história de Dona Conceição Nascida em Itaocara e morando atualmente em Cordeiro, Conceição da Silva Felizardo, de 108 anos, é uma das participantes do Projeto DNA Longevo e hoje é o grande orgulho da família. Pela idade avançada, ela utiliza cadeira de rodas para se locomover e possui sérios problemas de visão, fazendo com que a família ajude na rotina dela em todos os cuidados básicos, como banho e alimentação. Sua neta, Daiane Rodrigues, contou ao g1 como é cuidar de uma semi-supercentenária “É gratificante ver ao longo do tempo tudo o que ela já passou. Estar entre nós é um privilégio! Nós cuidamos com todo amor e carinho e temos uma rotina diária de cuidados, já que ela não tem autonomia para fazer as suas próprias coisas por saber de sua trajetória de vida. Uma mulher que sempre trabalhou na roça, e cuidou de todos com muita dedicação” Houveram muitas mudanças ao longo do tempo que fizeram com que Dona Conceição se tornasse totalmente dependente das pessoas que cuidam dela. “Hoje infelizmente já não temos mais o privilégio de poder ouvir as histórias que ela contava. Cuidamos dela, mesmo sem ela saber quem somos, temos a consciência de cuidar de quem deu a vida por nós e mesmo com tanta dificuldade nunca esmoreceu.”, disse Daiane Entre seus principais hábitos, antes de suas comorbidades, a centenária costumava cuidar das suas plantas com muito zelo, caminhar toda manhã e esfregar panos, visto que passou parte de sua vida lavando roupas para fora “Até os 100 anos ela contava da vida, que vivia na roça, das dificuldade que passava para cuidar dos filhos, da rotina que levantava cedo para ir para roça. Deixava os filhos mais velhos para cuidar dos afazeres da casa e cuidar dos irmãos mais novos. Falava com carinho do seu grande amor, João Rodrigues, que cuidou mesmo quando ficou doente e foi fiel até depois da sua morte. Tinha uma fé linda que não deixava de rezar o terço da misericórdia, não deixava de fazer o momento mariano e não faltava à missa. E gostava de fazer crochê com sua falecida nora Dalva, com quem fez várias colchas de crochê.” contou sua neta, relembrando os momentos Emocionada, Daiane contou como sua avó sempre quis celebrar a vida: “O que ela sempre priorizou foi ter a família reunida. Mesmo com alguns filhos morando longe uma vez por ano nos reunimos para comemorar o seu aniversário com 2 dias de festa. Ela sempre dizia que para o próximo ano não sabia se chegaria, e ainda estamos comemorando até hoje cada aniversário seu!” Região Serrana dos centenários Para a pesquisadora Iara, a genética parece ser o principal fator para determinar se um indivíduo viverá mais de 100 anos. No entanto, a presença de centenários, semi-supercentenários e até supercentenários na Região Serrana é bastante significativa, especialmente considerando o tamanho da população local. “Isso pode estar relacionado a vários fatores, como estilo de vida mais tranquilo, alimentação mais simples e natural, laços sociais fortes, fé e espiritualidade, menor exposição a grandes centros urbanos e, em muitos casos, histórico de trabalho ativo ao longo da vida. Além disso, fatores ambientais e culturais também parecem contribuir positivamente para essa longevidade, tornando a região um ponto de grande interesse para estudos sobre envelhecimento saudável.”, explicou a representante da Longeviquest. “Sabemos que existem outros semi-supercentenários e supercentenários na região que ainda não conseguimos validar, o que indica que esses números podem ser ainda mais expressivos. Isso reforça a importância de ampliar as pesquisas históricas e documentais, para que mais casos possam ser confirmados e incluídos nos estudos científicos sobre longevidade no Brasil.” De acordo com a Longeviquest, atualmente, há 49 brasileiros vivos totalmente validados, com 108 anos ou mais, sendo 19 supercentenários. As 10 pessoas mais longevas do mundo são todas mulheres, com destaque para duas brasileiras: Yolanda Beltrão de Azevedo, nascida em 13 de janeiro de 1911, que ocupa a 5ª posição mundial, e Beatriz Ferreira Duarte, nascida em 21 de junho de 1911 , que é a 7ª pessoa viva mais longeva do mundo. Yolanda Beltrão de Azevedo reside em Maceió e é a atual pessoa viva mais longeva do Brasil, enquanto Beatriz Ferreira Duarte reside em Jaboatão dos Guararapes e é a segunda pessoa viva mais longeva do país. No caso dos homens, os 10 homens vivos mais longevos do mundo incluem três brasileiros. João Marinho Neto, atualmente o homem vivo mais velho do mundo, nascido em 5 de outubro de 1912, com 113 anos. Primo Olivieri, nascido em 7 de março de 1914, ocupando a 4ª posição. E Francisco Ernesto Filho, nascido em 5 de abril de 1914, ocupando a 7ª posição. Além de Dona Conceição, houveram outras duas supercentenárias e uma semi supercentenária na Região Serrana do Rio de Janeiro validadas pela organização: Noêmia Vieira de Souza, de 111 anos moradora de Duas Barras, já falecida Artelina Tinoco Alves, de 110 anos, moradora de Nova Friburgo, que participou da pesquisa do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo antes do seu falecimento. Cecy Machado Lima, moradora de Nova Friburgo, de 108 anos, já falecida. Cecy Machado Lima, moradora de Nova Friburgo, faleceu com 108 anos. Arquivo Pessoal 108 ano de vida Dona Cecy nasceu em Santa Maria Madalena em 18/07/1917, faleceu no dia 01/02/2026, sendo a última semicentenária da cidade. Cuidou de 8 filhos, 32 netos, 23 bisnetos e 1 tataraneta. Sempre ativa e rigorosa na educação, exerceu a função de Agente Fiscal e conseguiu ver seus 8 filhos se formarem: 4 professoras, 1 dentista, 1 médico , 1 veterinário e 1 Agente Fiscal. Segundo seu filho, Ranulfo Lima, a convivência até os 100 anos, foi a fase mais maravilhosa da família, até perder progressivamente a memória e hoje encontra-se acamada devido à complicações de saúde. “Não há dúvida que sua longevidade se explica, pelo convívio diário com os filhos e amigos e o café da tarde, que ainda é realizado em sua cozinha, todos os dias da sua vida. Ela ter sido reconhecida por uma organização de longevidade, foi a certeza que tivemos a oportunidade de conviver com a pessoa mais maravilhosa que conhecemos, e isto temos a certeza que foi o melhor presente de Deus”, disse Ranulfo ao g1. Seus passatempos eram palavras cruzadas, aconselhar a família e falar do seu tempo nas fazendas que viveu. Ranulfo fala com orgulho de tudo que ouviu de sua mãe e do que viveu na família criada por ela e seu marido, já falecido, Milton de Souza Lima: “Os melhores ensinamentos que minha mãe deixou foi: a humildade, a cultura, a honestidade e a fé Cristã. Se pudesse deixar uma mensagem diria que a família é o bem mais precioso da nossa vida. Nunca abandone um amigo e invista sua riqueza, no apoio à cultura de todos aqueles que um dia você julgar necessário.”

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