Roberto Cidade fala em 'decisão coletiva' após ser eleito para governo-tampão do Amazonas
Roberto Cidade é eleito em eleições indiretas como governador do Amazonas Foto: Divulgação/Assessoria Roberto Cidade (União Brasil) afirmou que a eleiç...
Roberto Cidade é eleito em eleições indiretas como governador do Amazonas Foto: Divulgação/Assessoria Roberto Cidade (União Brasil) afirmou que a eleição indireta que o levou ao governo do Amazonas é resultado de uma construção coletiva. A declaração foi dada após a votação realizada nesta segunda-feira (4), na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). "Essa não é uma vitória individual. É uma decisão coletiva, construída com diálogo, respeito e compromisso com o povo do Amazonas. Vamos trabalhar todos os dias para honrar cada voto e transformar esse apoio em resultados concretos para a nossa gente", declarou Cidade após a pleito. O vice-governador eleito, Serafim Corrêa (PSB), também comentou o resultado e destacou a responsabilidade da nova gestão. "É um governo de união, que vai procurar fazer o melhor pelo povo do Amazonas”, disse. MANDATO TAMPÃO: Roberto Cidade toma posse como governador do Amazonas nesta segunda (4) PERFIL: Novo governador do Amazonas: quem é Roberto Cidade, eleito em votação indireta POSSE: Roberto Cidade toma posse como governador do Amazonas nesta segunda-feira (4) A escolha foi feita pelos 24 deputados estaduais, em votação aberta e nominal. É a primeira vez na história que governador e vice são eleitos no estado sem o voto popular. A chapa deve tomar posse em data ainda a ser divulgada. Vídeos em alta no g1 A votação ocorreu após a renúncia do então governador Wilson Lima (União) e do vice Tadeu de Souza (Progressistas). Segundo a Constituição estadual, quando há vacância nos últimos dois anos do mandato, a substituição deve ser feita de forma indireta, pelo Legislativo. Quem é Roberto Cidade Natural de Manaus, Roberto Cidade tem 39 anos e está em seu segundo mandato como deputado estadual. Iniciou a carreira política em 2016, ao disputar vaga de vereador em Manaus. Recebeu 6.285 votos e ficou como suplente. Dois anos depois, assumiu cadeira na Câmara Municipal de Manaus, onde participou de votações relevantes, como a Lei Orçamentária do município. Ainda em 2018, foi eleito deputado estadual com 33.239 votos, o segundo mais votado do estado. Na Aleam, começou em 2019 como 3º vice-presidente da Mesa Diretora e presidiu a Comissão de Transportes no biênio 2019-2020. Em dezembro de 2020, foi eleito presidente da Aleam no primeiro mandato, aos 34 anos. Tornou-se o mais jovem e o primeiro novato a comandar o Legislativo estadual. Na pandemia de Covid-19, liderou votações estratégicas, como a criação de auxílio estadual permanente, a aprovação da Lei do Gás e a liberação de recursos do Fundo de Fomento ao Turismo (FTI) para a saúde nos municípios. Consolidação política Em 2021, presidiu o Partido Verde no Amazonas. No ano seguinte, migrou para o União Brasil e virou líder da sigla na Aleam. No ano seguinte, foi reeleito deputado estadual com 105.510 votos, recorde histórico no Amazonas. Já em 2023, foi reconduzido por unanimidade à presidência da Aleam em votação que durou menos de dois minutos e garantiu novo mandato para 2025-2026, somando três gestões seguidas, algo até então inédito. A escolha do parlamentar para o cargo gerou um impasse na Justiça. Em outubro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, suspendeu a reeleição de Roberto Cidade à presidência da Aleam em ação que questionou a mudança da constituição da casa pelos deputados estaduais da Amazonas para permitir mais do que dois mandatos consecutivos. O processo foi extinto em março de 2025. Na decisão, Zanin afirmou que a ação não tinha mais razão para continuar após a anulação da eleição antecipada, validando a eleição de 30 de outubro de 2024 e os argumentos da Aleam de que a eleição seguiu a jurisprudência do STF. Em 2024, assumiu o diretório municipal do União Brasil em Manaus e teve a pré-candidatura à Prefeitura da capital oficializada. No pleito, recebeu 187.566 votos. O que é mandato-tampão? A escolha foi feita pelos 24 deputados estaduais, em votação aberta e nominal. É a primeira vez na história que governador e vice são eleitos no estado sem o voto popular Foto: Reprodução/Alema O mandato-tampão é quando o governador eleito não inicia um novo mandato, mas assume apenas para completar o período que ainda resta da gestão. Isso acontece quando há renúncia ou saída do governador e do vice nos últimos dois anos do mandato. Nessa situação, a escolha é feita de forma indireta, pelos deputados estaduais, e o eleito fica no cargo só até o fim do mandato em andamento. Renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza Wilson Lima e Tadeu de Souza renunciaram aos cargos de governador e vice do Amazonas. As cartas foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da Aleam neste sábado (4). Nos documentos, os dois comunicam oficialmente a saída. As renúncias têm efeito imediato desde 4 de abril de 2026. Na carta, Wilson Lima afirma que a decisão é "em caráter irrevogável e irretratável". Ele explica que a medida cumpre o prazo de seis meses de desincompatibilização exigido pela lei eleitoral antes das eleições de outubro de 2026. “Visando o cumprimento do prazo de seis meses de desincompatibilização exigido para a disputa de novo cargo eletivo nas eleições gerais de 2026”, diz trecho do documento. Após a renúncia, Lima anunciou pré-candidatura ao Senado, enquanto Tadeu ainda não informou qual cargo pretende disputar.