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‘Soberana’, ‘Tabajara’, ‘Furiosa’, ‘Swingueira’… conheça os apelidos das baterias das escolas do Grupo Especial do Rio

Ritmistas da Tabajara do Samba, bateria da Portela Alex Ferro/Riotur Alma das escolas de samba, as baterias não embalam apenas o desfile: elas também carregam...

‘Soberana’, ‘Tabajara’, ‘Furiosa’, ‘Swingueira’… conheça os apelidos das baterias das escolas do Grupo Especial do Rio
‘Soberana’, ‘Tabajara’, ‘Furiosa’, ‘Swingueira’… conheça os apelidos das baterias das escolas do Grupo Especial do Rio (Foto: Reprodução)

Ritmistas da Tabajara do Samba, bateria da Portela Alex Ferro/Riotur Alma das escolas de samba, as baterias não embalam apenas o desfile: elas também carregam identidade, história e até nome próprio. Conhecidos no mundo do samba como verdadeiras marcas registradas, os apelidos ajudam a diferenciar estilos, levadas e concepções musicais de cada agremiação. No mundo do samba, a bateria é mais do que um segmento: é uma assinatura sonora. Os apelidos, adotados por cada escola, funcionam como marcas registradas e servem para diferenciar estilos, cadências e concepções musicais que atravessam gerações e identificam as comunidades no Sambódromo. “O batuque da comunidade atrai. Tudo começa no batuque”, resume o carnavalesco e comentarista Milton Cunha, ao programa Encontro. “A bateria é o coração pulsante de uma escola de samba”, afirma. Formada por no mínimo 200 ritmistas, a bateria é responsável por dar andamento rítmico ao desfile. Os instrumentos — como surdos, caixas, tamborins, chocalhos, cuícas e repiques — seguem regras rígidas previstas no regulamento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça “Tem que ser uma orquestra de percussão. Não existe instrumento de sopro na bateria, como acontece em bandas marciais ou blocos de rua”, explica Milton Cunha. Segundo ele, desde a década de 1930 são proibidos sons semelhantes aos de sopro, com exceção dos apitos usados pelos mestres e diretores de harmonia. Ao longo do tempo, as baterias passaram a incorporar variações rítmicas e arranjos próprios, respeitando a essência do samba. Foi essa base que ajudou a eternizar composições que caíram na boca do povo e marcaram a história do Carnaval. Mestres de bateria comandam o espetáculo À frente das baterias estão os mestres, responsáveis por conduzir o ritmo como maestros de uma grande orquestra. São eles que definem os arranjos musicais, os desenhos rítmicos e as famosas paradinhas, momentos em que a bateria interrompe ou modifica o andamento para valorizar o samba-enredo. “No recuo da bateria, o público vê um verdadeiro show, com dança e coreografia”, diz Milton. O desafio, no entanto, é equilibrar inovação e precisão: qualquer erro de sincronização pode custar décimos preciosos na apuração. Ao longo dos anos, algumas baterias chegaram a realizar manobras arriscadas para abrilhantar o espetáculo, sempre dentro do limite imposto pelo regulamento e pela necessidade de não “atravessar” o samba. Para o Carnaval 2026, o g1 reuniu as baterias na ordem oficial de desfile, com número atualizado de ritmistas e detalhes do que cada escola promete levar para a Marquês de Sapucaí. Acadêmicos de Niterói — Cadência de Niterói Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói abre os desfiles com a bateria Cadência de Niterói, que terá mestre Branco Ribeiro pela primeira vez à frente do quesito na elite. Com 240 ritmistas, ao g1, Branco explica que o trabalho começou pela base e tudo foi pensado para dialogar com o samba: “A gente iniciou o trabalho com um ensaio específico para as caixas, passando a identidade da bateria. Nosso diferencial está na levada das caixas e nas viradas, que têm uma pausa antes de acontecer. Todas as paradinhas estão em cima da melodia e da letra. É para enaltecer a obra. A bateria faz uma pausa e, ao mesmo tempo, todo mundo abaixa, criando uma coreografia que valoriza a passagem do samba.” Rainha de bateria: Vanessa Rangeli Ritmista da Acadêmicos de Niterói tocando um chocalho Alexandre Loureiro/Riotur Swing da Leopoldina, da Imperatriz Tradicional no Grupo Especial, a Imperatriz mantém o apelido Swing da Leopoldina, que faz referência à Zona da Leopoldina e à batida cadenciada que marcou o ritmo da escola ao longo das décadas. Há 10 anos à frente dos ritmistas, que neste ano serão 250, mestre Lolo celebra uma trajetória de sucesso. No ano passado, a bateria conquistou o Estandarte de Ouro — inédito em sua história. A ousadia nas paradinhas e manutenção da tradição rítmica da bateria da escola são os destaques da Swing da Leopoldina. Rainha de bateria: Iza Integrantes da bateria da Imperatriz Leopoldinense Tata Barreto/Riotur Tabajara do Samba, Portela Mestre Vitinho é o atual comandante da Tabajara do Samba, a bateria da Portela, para o Carnaval 2026. Cria da escola e reconhecido por sua trajetória no samba, ele assumiu o comando após o desligamento de Nilo Sérgio em 2025, trazendo renovação para a agremiação. Vitor Cezar assumiu o comando 320 ritmistas dos como parte da reestruturação da escola sob a presidência de Junior Escafura. Rainha de bateria: Bianca Monteiro Integrante da Tabajara do Samba, a bateria da Portela Marco Terranova/Riotur Tem Que Respeitar Meu Tamborim, da Mangueira A Verde e Rosa entra na Avenida ao som da bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim, sob comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão. Para 2019, a Mangueira não informou o número de ritmistas. Rainha de Bateria: Evelyn Bastos Bateria da Mangueira Alex Ferro/Riotur Não Existe Mais Quente, da Mocidade A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel é composta por 270 ritmistas comandados pelo mestre Dudu — à frente da Não Existe Mais Quente desde 2013. Dudu é reconhecido por manter o legado de Mestre André, criador da famosa "paradinha" da escola. O trabalho da bateria para 2026 foi de manutenção do ritmo tradicional e único da escola, para que não se perdessem as peculiaridades do samba de Padre Miguel. Rainha de bateria: Fabíola Andrade A bateria 'Não Existe Mais Quente', da Mocidade Independente de Padre Miguel Marco Terranova/Riotur Soberana, Beija-Flor de Nilópolis A bateria Soberana da Beija-Flor de Nilópolis vai entrar na Avenida com 250 ritmistas, sob comando de mestre Rodney. Em conversa com o g1, Rodney destacou a qualidade e a técnica do grupo. “A gente intensifica o uso da melodia do samba. O samba pede uma coisa, a bateria executa exatamente aquilo. As convenções são muito concretas.” Ele destaca ainda elementos tradicionais da escola: “A gente tem atabaque, tem levada de cabula no repique e a cereja do bolo são as frigideiras. Tudo com afinação privilegiada e um molho de bom gosto, que é a característica da bateria Soberana.” Rainha de bateria: Lorena Raíssa Integrante da Soberana, da Beija-Flor de Nilópolis Alex Ferro/Riotur Furacão Vermelho e Branco, da Viradouro A Furacão Vermelho e Branco da Viradouro vai entrar na Avenida com 250 ritmistas e será regida por Mestre Ciça, um dos mais famosos em atividade — e enredo da agremiação em 2026. A escola foi campeã do Grupo Especial em 2024 com o “Arroboboi, Dangbé”, o enredo pedia proteção à grande cobra mítica. Com 55 carnavais no currículo e 36 anos ininterruptos de Sapucaí, Ciça construiu uma das trajetórias mais respeitadas do samba. Ele está à frente da escola desde 2019. Rainha de bateria: Juliana Paes A bateria Furacão Vermelho e Branco, da Viradouro Alex Ferro/Riotur Unidos da Tijuca, Pura Cadência A Unidos da Tijuca entra na Marquês de Sapucaí em 2026 com 262 ritmistas e 12 diretores. O mestre de bateria da escola há mais de 17 anos é o Casagrande, que comanda os ritmistas e dá a cadência ao grupo. Conhecida como o “reloginho” das baterias do Rio, a Pura Cadência é sinônimo de precisão técnica. Mestre Casagrande explica que o segredo está na regularidade e no respeito ao samba: “A gente ensaia há mais de oito meses o andamento métrico da bateria. A nossa é uma bateria clássica, que toca para a escola e em função do samba.” Um dos diferenciais está no tamanho do naipe de caixas: “Temos 105 caixeiros. É a única bateria com esse número. A caixa é o instrumento base, o que dá a regularidade.” As paradinhas seguem conceito musical bem definido: “A gente não faz bossa fora da melodia. Faz convenção musical dentro da leitura do samba, para que até o leigo entenda o que está sendo contado.” Rainha de bateria: Mileide Mihaile Mestre Casagrande, da Unidos da Tijuca, e seus ritmistas Eduardo Hollanda/Riotur Paraíso do Tuiuti, SuperSom A bateria da Paraíso do Tuiuti, com 256 integrantes, é carinhosamente apelidada de SuperSom. O mestre Marcão é quem comanda a festa do repique e tamborim há 6 anos na escola. No carnaval do ano passado, quando a azul e amarela de São Cristóvão levou para a Sapucaí o enredo "Quem tem medo de Xica Manicongo?", a bateria da agremiação conquistou três notas máximas e um 9.9, descartado. Rainha de bateria: Mayara Lima Ritmista da Paraiso do Tuiuti tocando uma caixa de guerra Tata Barreto/Riotur Swingueira de Noel, da Vila Isabel Referência ao compositor Noel Rosa, a Swingueira de Noel faz jus ao nome com uma batida leve, dançante e cheia de suingue, marca histórica da escola de Vila Isabel. Com 280 ritmistas, a bateria é comandada dede 2018 pelo mestre Macaco Branco. Rainha de bateria: Sabrina Sato Integrantes da Swingueira de Noel durante o desfile de 2025 Alex Ferro/Riotur Invocada, da Grande Rio A bateria da Grande Rio passou a ser conhecida como Invocada, em 2010, diante da ousadia na apresentação do grupo regido pelo Mestre Ciça. A bateria tem 3 Estandartes de Ouro e dois Tamborins de Ouro — outro prêmio não oficial da folia. Para o Carnaval 2026, a ala de repiques e as caixas vão ter maior destaque: são 270 ritmistas no comando do mestre Fafá. Rainha de bateria: Virginia Fonseca Mestre Fafá está à frente da bateria da Grande Rio Alex Ferro/Riotur Acadêmicos do Salgueiro, Furiosa O ritmo salgueirense é ditado pela Furiosa, a bateria da escola, que tem Xangô como orixá padroeiro. A Furiosa surgiu entre as décadas de 60 e 70, época em que o Mestre Bira de Xuxa, como era conhecido, comandava os ritmistas. Atualmente, os irmãos Guilherme e Gustavo comandam a bateria da escola. Para 2026, serão 200 ritmistas. Rainha de bateria: Viviane Araújo Integrantes da bateria do Salgueiro Tata Barreto/Riotur

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