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Supino com cabo de vassoura e agachamento na pia: personal de Sorocaba cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia

Treinador cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia Levantar da cama sem ajuda, caminhar até a cozinha, sentar-se à mesa para o almoço...

Supino com cabo de vassoura e agachamento na pia: personal de Sorocaba cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia
Supino com cabo de vassoura e agachamento na pia: personal de Sorocaba cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia (Foto: Reprodução)

Treinador cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia Levantar da cama sem ajuda, caminhar até a cozinha, sentar-se à mesa para o almoço ou simplesmente conseguir calçar os próprios sapatos. A autonomia, muitas vezes invisível durante a juventude, passa a ser uma das maiores conquistas da longevidade. Em um país que já soma mais de 30 mil centenários e vê esse número crescer a cada década, envelhecer deixou de ser apenas uma questão de viver mais anos, mas de conseguir vivê-los bem. Para muitos idosos, essa independência pode começar em lugares pouco convencionais: a pia da cozinha, o cabo de uma vassoura ou duas cadeiras separadas por alguns metros na sala de casa. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Ao g1, o personal trainer Ricardo Penteado, de Sorocaba (SP), que está há quase 25 anos trabalhando com exercício físico voltado ao envelhecimento saudável, desenvolveu uma metodologia baseada em movimentos adaptados que podem ser feitos dentro de casa. "A melhor forma de combater o envelhecimento é através do exercício físico. Ele funciona como um remédio, porém sem contraindicações e sem efeitos colaterais. É justamente através do exercício que fazemos o corpo envelhecer mais vagarosamente", afirma. LEIA TAMBÉM: Como Jô Soares construía o humor? Tese de pesquisador sorocabano ganha reconhecimento internacional Palhaços, magos e bruxas? Conheça a simbologia por trás das alcunhas que dominam o funk Em suas redes sociais, Ricardo compartilha exercícios que buscam fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio e estimular funções cognitivas, utilizando objetos presentes no dia a dia. "O exercício precisa ter propósito. Não adianta um idoso conseguir fazer um movimento na academia se ele continua tendo dificuldade para levantar do sofá ou entrar no carro. Nosso objetivo é devolver autonomia para aquilo que realmente importa no dia a dia", explica. Initial plugin text Avó como primeira paciente Antes de se tornar referência no atendimento de idosos, Ricardo Penteado era professor de tênis e ainda cursava Educação Física quando começou a pesquisar, por curiosidade, a reabilitação de pacientes cardíacos. Na época, percebeu que havia poucas orientações específicas sobre exercícios físicos para esse público e passou a estudar o assunto por conta própria. Formado em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2001, a especialização na área surgiu ainda durante a faculdade, quando Ricardo começou a estudar cardiologia por conta própria. Personal trainer cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia Reprodução/ricardopenteado_/redes sociais Sua trajetória profissional ganhou um novo rumo pouco tempo depois, quando sua avó, então com 79 anos, sofreu uma queda dentro de casa e fraturou o fêmur. "Ela tropeçou no chinelo e quebrou o fêmur. Fui estudar o que poderia fazer para ajudá-la na reabilitação e ela acabou sendo, teoricamente, minha primeira paciente. Usei exercício dentro da nossa piscina aquecida e funcionou muito bem. Ela foi dos 79, sem dores, sem sequelas até os seus quase 98 anos de idade", relembra. A experiência foi determinante para que ele decidisse aprofundar seus estudos sobre envelhecimento saudável. Desde então, realizou especializações em reabilitação cardíaca, envelhecimento e grupos especiais, além de cursos voltados à saúde mental e medicina funcional integrativa. Ao longo da carreira, também trabalhou ao lado de equipes multidisciplinares em hospitais como HCor, Albert Einstein e Sírio-Libanês. "Hoje, costumo dizer que meu trabalho é 50% exercício físico e 50% consultoria em saúde. Muitas vezes estamos próximos o suficiente do paciente para identificar sinais de que algo não está bem e orientar a família a procurar novamente o médico", afirma. Segundo ele, o acompanhamento próximo já permitiu identificar alterações importantes em pacientes antes mesmo de diagnósticos médicos serem concluídos. Movimento para viver melhor O estado com mais centenários é a Bahia, com 5,336. São Paulo aparece em segundo, com 5.095. Minas Gerais vêm em seguida, com 4,104. Reprodução/ TV Globo O censo do IBGE revelou que o Brasil tem mais de 37 mil habitantes com mais de 100 anos de idade. Em 2010, o país tinha 24 mil centenários. No último levantamento, no ano passado, o número cresceu 56%. São 37.814 brasileiros que ultrapassaram um século de vida e quase três em cada quatro são mulheres. Segundo Ricardo, a longevidade chegou, mas a qualidade de vida não acompanhou para muitos. Quedas, isolamento e declínio cognitivo são as maiores ameaças para quem passa dos 90 — e os três têm uma resposta em comum: movimento com propósito. Personal trainer cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia Reprodução/ricardopenteado_/redes sociais Ao contrário do que muitos imaginam, boa parte dos exercícios não exige aparelhos sofisticados nem grandes espaços. A pia da cozinha pode ser utilizada como apoio para trabalhar equilíbrio e fortalecimento muscular. Um cabo de vassoura ajuda no alinhamento corporal e na execução dos movimentos. Já atividades simples, como contar em voz alta enquanto caminha, ajudam a estimular simultaneamente o corpo e o cérebro. A metodologia também utiliza o conceito da "dupla tarefa", que consiste em realizar movimentos físicos ao mesmo tempo em que o paciente executa atividades cognitivas. "Pedir para a pessoa levantar e sentar enquanto conta de trás para frente ou lembra o nome dos netos, por exemplo, trabalha duas funções ao mesmo tempo. Isso ajuda tanto na prevenção de quedas quanto no estímulo cognitivo", explica. Teste da cadeira Um teste rápido, que pode ser feito em casa com o auxílio de uma cadeira, ajuda a indicar se uma pessoa tem força muscular dos membros inferiores adequada para a idade. Os resultados também avaliam a mobilidade, o equilíbrio, o risco de quedas, a coordenação motora e a mobilidade funcional. O teste é um protocolo validado em geriatria para indicar o risco de fragilidade e perda de massa muscular. O chamado "teste de se sentar e se levantar da cadeira" é usado por médicos e fisioterapeutas também como parte do diagnóstico da sarcopenia, doença caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular. O indivíduo deve manter os braços cruzados sobre os ombros e se levantar e se sentar. Ao se sentar, é preciso manter 90 graus de flexão de joelho, de quadril e de tornozelo. Não pode ser considerada repetição se você apenas encostar na cadeira. É preciso se sentar firmemente entre cada repetição, sem a necessidade de encostar as costas no encosto. Você tem força, resistência, mobilidade e flexibilidade adequadas para a sua faixa etária? Para Ricardo, o agrupamento muscular das pernas é o principal pensando em qualidade de vida e longevidade. "Já fiz uma publicação sobre isso, o exercício que envolve o grupo muscular das pernas é o mais importante. Para fazer dentro de casa é simplesmente levantar e sentar na cadeira, a única diferença é que eu coloco também o protocolo médico utilizado para saber o quão comprometido está o seu declínio cognitivo, sua cognição, colocando duas cadeiras com uma distância de 5 metros, pelo menos, e a pessoa levanta de uma cadeira, anda até a outra, senta, automaticamente levanta e volta para a cadeira inicial e repete isso quantas vezes for possível", explica. O maior erro ao pensar no exercício físico para idosos é associá-lo apenas ao fortalecimento muscular. Segundo ele, o trabalho precisa estar diretamente relacionado às atividades que o paciente deseja continuar realizando. "Esse exercício você está assimilando a força de levantar e sentar na cadeira e também uma pequena caminhada. Então, é uma forma de você trabalhar resistência e força ao mesmo tempo. Se ela quer continuar cozinhando, precisa ter força para ficar em pé. Se quer brincar com os netos, precisa conseguir se abaixar e levantar. O exercício tem que conversar com a vida daquela pessoa", explica. O teste pode ser avaliado de duas formas: Sentar e levantar da cadeira 5 vezes: peça para outra pessoa cronometrar o tempo, que precisa ser inferior a 15 segundos, de acordo com o manual da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Um tempo acima de 15 segundos já indica perda de força muscular. Sentar e levantar da cadeira por 30 segundos: peça para outra pessoa cronometrar o tempo e registrar o número de repetições realizadas (é preciso começar sentado). Este teste costuma ser usado também em outras faixas etárias, além de idosos. SENTAR E LEVANTAR DA CADEIRA 5 VEZES Teste de sentar e levantar da cadeira avalia o risco de quedas e a força de membros inferiores Arte/g1 SENTAR E LEVANTAR DA CADEIRA EM 30 segundos Mais do que atividade física Ao longo de quase 25 mil horas de atendimento, Ricardo já trabalhou com pacientes em pós-operatórios, idosos acamados, pessoas diagnosticadas com Alzheimer, câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. Segundo ele, a longevidade precisa caminhar ao lado da qualidade de vida. Por isso, o trabalho desenvolvido vai além da prática dos exercícios e envolve o acompanhamento conjunto com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. Personal trainer cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia Reprodução/ricardopenteado_/redes sociais "A gente aprende a observar sinais e sintomas que podem indicar que alguma coisa mudou. Muitas vezes o paciente está conosco praticamente todos os dias, essa proximidade nos permite perceber alterações que merecem atenção. Isso que me fez uma grande diferença e aí, logicamente, o dom de cuidar de pessoas que realmente isso não se aprende, tem que realmente gostar", completa Ricardo. Para o profissional, envelhecer bem significa preservar a capacidade de continuar fazendo escolhas e mantendo a independência pelo maior tempo possível. "O nosso maior objetivo não é fazer alguém viver mais. É fazer com que essa pessoa viva melhor. Conseguir levantar sozinho, caminhar sem medo e continuar participando da vida da família talvez sejam as maiores conquistas que podemos proporcionar", afirma. Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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