Tempestades devem dissipar fumaça de incêndios no Canadá antes da final da Copa do Mundo nos EUA
O horizonte de Nova York é visto através de uma camada de fumaça de incêndio florestal, em Jersey City, NJ, sexta-feira, 17 de julho de 2026. AP/Ryan Murphy...
O horizonte de Nova York é visto através de uma camada de fumaça de incêndio florestal, em Jersey City, NJ, sexta-feira, 17 de julho de 2026. AP/Ryan Murphy A fumaça dos incêndios florestais que atingem o Canadá e cobriu parte do nordeste dos Estados Unidos nos últimos dias deve perder força antes da final da Copa do Mundo, disputada neste domingo (19) em East Rutherford, Nova Jersey. Segundo meteorologistas, a passagem de uma frente de tempestades deve limpar grande parte da atmosfera e reduzir a concentração de partículas poluentes na região do MetLife Stadium, palco da decisão entre Espanha e Argentina. A previsão diminui a preocupação em torno da partida, que chegou a ser cercada por incertezas depois que a fumaça deixou o céu acinzentado e levou autoridades a emitirem alertas de qualidade do ar em diversos estados americanos. Apesar da melhora esperada, especialistas afirmam que pessoas mais sensíveis à poluição ainda podem sentir os efeitos da fumaça residual. Agora no g1 Chuva deve dispersar a fumaça Segundo Tyler Roys, meteorologista sênior da AccuWeather, a frente fria que atravessou a região no sábado deve remover a parte mais densa da fumaça. A expectativa é que reste apenas uma névoa leve, sem impacto relevante para a realização da partida. Jeff Berardelli, meteorologista-chefe da emissora WFLA-TV, disse que a chuva deve "varrer a atmosfera", melhorando significativamente a qualidade do ar antes do início da decisão. A previsão é que o Índice de Qualidade do Ar (AQI) caia da categoria considerada insalubre para grupos sensíveis para o nível "moderado", classificação que representa baixo risco para a maior parte da população. Além disso, a previsão indica temperatura em torno de 27°C, pouca umidade e ventos fracos durante o jogo. Espanha chegou a interromper treino A fumaça ainda era visível na região do estádio no sábado, mesmo após a passagem das tempestades. Durante a preparação para a final, a seleção da Espanha interrompeu o último treinamento ao ar livre por causa do mau tempo, que também provocou alertas de enchentes repentinas em partes de Nova Jersey. Do lado de fora do estádio, turistas e torcedores acompanharam a movimentação normalmente. O holandês Joost Timpers, que pedalou mais de uma hora com os filhos para conhecer a arena, afirmou que não percebeu diferença significativa na qualidade do ar. Incêndios continuam avançando no Canadá Enquanto a situação melhora na costa leste americana, os incêndios permanecem ativos em várias províncias canadenses. Dados do Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais mostram que centenas de focos continuam queimando. Em Ontário, quase 200 incêndios já consumiram uma área superior à registrada durante toda a temporada do ano passado. Na Colúmbia Britânica, o número de incêndios disparou após milhares de raios atingirem a província na sexta-feira. A Nova Escócia e o noroeste de Ontário também enfrentam grandes focos, que levaram à evacuação de comunidades. Meteorologistas afirmam que o fogo tem se espalhado com mais intensidade em razão das condições de calor, seca e baixa umidade, cenário que vem sendo agravado pelas mudanças climáticas. Trump volta a culpar o Canadá A fumaça também alimentou uma nova disputa política entre Estados Unidos e Canadá. O presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que o país está sendo "invadido" por um ar "sujo, poluído e insalubre" vindo do Canadá e voltou a ameaçar impor tarifas ao país vizinho. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, respondeu que as mudanças climáticas são uma responsabilidade compartilhada entre os países, inclusive pelos Estados Unidos. Já o premiê de Ontário, Doug Ford, classificou as declarações de Trump como "absolutamente inaceitáveis" e lembrou que o Canadá já enviou ajuda aos americanos em outras situações de desastre, como incêndios florestais e furacões. Mesmo com a melhora prevista para a final da Copa do Mundo, os especialistas destacam que os incêndios seguem longe de serem controlados. Enquanto as chamas continuarem ativas no Canadá, a fumaça poderá voltar a atingir diferentes regiões da América do Norte conforme mudarem os ventos.