cover
Tocando Agora:

Torre Eiffel ficou mesmo 10 centímetros mais alta por causa do calor? Entenda o que diz a física

Pessoas se refrescam na fonte do Trocadéro, diante da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, na França. Abdul Saboor/Reuters A onda de calor que el...

Torre Eiffel ficou mesmo 10 centímetros mais alta por causa do calor? Entenda o que diz a física
Torre Eiffel ficou mesmo 10 centímetros mais alta por causa do calor? Entenda o que diz a física (Foto: Reprodução)

Pessoas se refrescam na fonte do Trocadéro, diante da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, na França. Abdul Saboor/Reuters A onda de calor que elevou as temperaturas na França fez circular nas redes sociais uma curiosidade sobre um dos monumentos mais conhecidos do mundo: a Torre Eiffel teria ficado cerca de 10 centímetros mais alta por causa do calor. ➡️ Mas isso realmente aconteceu? A resposta exige uma ressalva. A expansão da torre é um fenômeno real e esperado, provocado pelo aquecimento de sua estrutura metálica. Um aumento próximo de 10 centímetros também é considerado fisicamente plausível em dias muito quentes. Isso não significa, porém, que técnicos tenham medido a torre durante a atual onda de calor e constatado exatamente esse crescimento. O número divulgado em diferentes publicações é resultado de cálculos e aproximações, feitos a partir da temperatura e das propriedades do material. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em outras palavras: 🔴 É impreciso afirmar que a torre “cresceu exatamente 10 centímetros” nesta onda de calor. 🟢 É correto dizer que ela se dilata com o calor e que esse aumento pode chegar à ordem de alguns centímetros, dependendo da variação de temperatura considerada. A própria administração do monumento é mais cautelosa: afirma que o calor pode alterar suas dimensões em alguns milímetros e também provocar um pequeno deslocamento do topo. Essas mudanças, contudo, são naturais, previstas pelos engenheiros e não representam risco para a estrutura. Entenda mais abaixo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Agora no g1 Por que a Torre Eiffel aumenta de tamanho? O fenômeno é chamado de dilatação térmica. Quando um material é aquecido, suas partículas passam a se movimentar com mais intensidade e ficam, em média, um pouco mais afastadas umas das outras. 🔩 Em uma pequena barra de metal, essa mudança é praticamente imperceptível. Mas, quando o mesmo efeito ocorre em uma estrutura com centenas de metros, a soma dessas pequenas variações pode resultar em alguns centímetros. “À medida que um sólido aquece, as partículas vibram um pouco mais. Se as partículas vibram mais, há um maior espaçamento entre elas”, explica Acauan Figueiredo, professor de Física do Curso Anglo. “Macroscopicamente, nós conseguimos observar esse maior espaçamento pela dilatação, ou seja, pelo aumento da dimensão daquele corpo à medida que a temperatura aumenta.” E considerando a antena instalada no topo, a Torre Eiffel tem cerca de 330 metros de altura. Sua estrutura é formada principalmente por ferro pudlado, um material usado em construções no século XIX e que, assim como outros metais, se expande quando aquecido. O mesmo processo ocorre no sentido contrário: em dias frios, o metal se contrai e a torre fica ligeiramente menor. Termômetro de uma farmácia marca 46,5°C em rua de Paris, com a Torre Eiffel ao fundo, durante a onda de calor que atingiu grande parte da França. Gonzalo Fuentes/Reuters LEIA TAMBÉM: Tensão nas falhas de San Andreas e San Jacinto está no maior nível em mil anos, diz estudo Europa enfrenta onda de calor com mortes, temperaturas recordes e impactos na economia O que está por trás da onda de calor na Europa associada a 1.300 mortes De onde vêm os 10 centímetros? Figueiredo explica que uma forma simplificada de calcular a dilatação considera três fatores: 📏 O tamanho inicial da estrutura: quanto maior o objeto, maior tende a ser a variação total. 🌡️ A mudança de temperatura: uma diferença maior entre a temperatura inicial e a final provoca uma dilatação maior. 🔩 O material utilizado: cada material possui um coeficiente próprio de dilatação. No caso da Torre Eiffel, o cálculo frequentemente divulgado considera que a estrutura metálica pode atingir temperaturas muito superiores às registradas no ar. Em um dia de forte calor e sol direto, uma face da torre poderia chegar a aproximadamente 60°C, mesmo que os termômetros da cidade indiquem valores menores. A pedido do g1, tomando como referência uma temperatura inicial próxima de 25°C e aplicando uma fórmula simplificada, Figueiredo chegou a uma variação de aproximadamente 13 centímetros. “Esse valor é condizente com o que é proposto, de 10 a 15 centímetros. Acho que é um valor coerente, mas a partir de várias aproximações”, afirma. Assim, segundo o professor, é possível dizer que a torre pode aumentar cerca de 10 centímetros em um dia muito quente, desde que fique claro que isso se trata de uma estimativa, e não de uma medida exata. De maneira simplificada, podemos entender que esses 10 a 15 centímetros vêm de uma aproximação. Vista da Ponte de Bir-Hakeim coberta de neve com a Torre Eiffel ao fundo em Paris REUTERS/Gonzalo Fuentes Por que não é possível cravar um número? Por um motivo: a Torre Eiffel não é uma barra metálica reta e uniforme. ♨️ Ela é formada por milhares de peças, rebites, plataformas, arcos, vigas e outros componentes que recebem calor de maneiras diferentes. Dessa forma, a sua temperatura também não é igual em toda a estrutura. A base, o topo, as áreas expostas ao sol e as partes sombreadas podem apresentar valores distintos. Além disso, fatores como vento, circulação do ar, perda de calor e posição do sol interferem no comportamento da estrutura. Por isso, a fórmula básica permite apenas chegar a uma chamada ordem de grandeza. Mas para determinar com precisão quanto a torre cresceu em um dia específico, seria necessário reunir informações detalhadas sobre: a temperatura de cada parte da estrutura; os materiais presentes em vigas, juntas e antenas; a incidência da radiação solar; a velocidade e a temperatura do vento; a geometria completa do monumento. “É possível ter uma aproximação muito melhor. Mas para isso, precisamos de mais informações sobre a torre e de modelos computacionais que simulem o que acontece com cada pequena parte quando ela recebe radiação solar ou calor por condução”, diz Figueiredo. LEIA TAMBÉM: França, Bélgica e Holanda registram 3,7 mil mortes a mais durante onda de calor histórica Investigando um mistério: por que algumas espécies de grilo pararam de cantar? Mais de dois terços da população da Europa enfrentaram calor acima de 35°C em junho Temperaturas da superfície superam os 50 °C na França e no norte da Espanha durante onda de calor; imagem é de 23 de junho de 2026. Dados do Copernicus Sentinel (2026), processados pela ESA A torre se inclina, mas não corre risco Fora tudo isso, além de aumentar ligeiramente de altura, a Torre Eiffel também pode sofrer um pequeno deslocamento lateral. Isso acontece porque a face voltada para o sol aquece mais e se dilata de forma diferente da parte que permanece na sombra. Segundo Figueiredo, uma face da torre pode chegar a 60°C ou 65°C em dias muito quentes, enquanto o lado oposto permanece perto de 40°C ou 45°C. 👀A diferença faz o topo se mover para o lado contrário ao sol, mas a inclinação é praticamente imperceptível a olho nu. E um alerta final: o ovimento não representa risco algum. A dilatação e a contração fazem parte do comportamento esperado de estruturas metálicas e são consideradas no projeto e na manutenção de monumentos, pontes, prédios e viadutos. No Brasil, o mesmo princípio aparece nas juntas de dilatação de pontes, como a Rio-Niterói, e até nos fios da rede elétrica, que ficam mais curvados no calor e mais esticados no frio. Onda de calor na Europa segue para o leste do continente

Fale Conosco