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Tradição do café: oeste paulista é destaque na produção de uma das bebidas mais consumidas no Brasil

Tradição centenária do café segue viva em Adamantina O aroma do café que invade casas, padarias e cafeterias nas primeiras horas do dia é quase um ritual ...

Tradição do café: oeste paulista é destaque na produção de uma das bebidas mais consumidas no Brasil
Tradição do café: oeste paulista é destaque na produção de uma das bebidas mais consumidas no Brasil (Foto: Reprodução)

Tradição centenária do café segue viva em Adamantina O aroma do café que invade casas, padarias e cafeterias nas primeiras horas do dia é quase um ritual nacional. No Brasil, um dos maiores produtores e consumidores da bebida no mundo, cada xícara carrega uma cadeia produtiva que vai da lavoura à torrefação e chega às mesas como a bebida que faz parte da rotina de milhões de brasileiros e também como ingrediente de diversas receitas gastronômicas. No oeste paulista, duas indústrias associadas à Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) ajudam a manter viva essa tradição: uma em Presidente Prudente e outra em Adamantina. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Produção de café em Adamantina (SP) segue tradição familiar @cromasolucoesdigitais/Treviolo/Cedidas De acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a região administrativa de Presidente Prudente somou, em 2025, quase 44 toneladas de sacas de 60 kg de café. A área destinada à produção foi de 2.224 hectares. Esse desempenho local se insere em um cenário nacional de consumo elevado. Segundo a Abic o café continua sendo uma das bebidas mais presentes no cotidiano dos brasileiros. O consumo mundial na safra 2025/2026 é estimado em 174 milhões de sacas de 60 quilos. No mercado interno, o Brasil consumiu cerca de 21,4 milhões de sacas industrializadas em 2025, o que representa aproximadamente 4,82 kg de café torrado por habitante ao ano. Consumo mundial na safra 2025/2026 é estimado em 174 milhões de sacas de 60 quilos Reprodução/ABIC A maior parte desse consumo está concentrada no Sudeste, responsável por 41,6% da demanda nacional, seguido pelo Nordeste (26,8%) e pelo Sul (14,7%). Enquanto o consumo se mantém elevado, a produção também mostra sinais de crescimento. O primeiro levantamento da safra 2026 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, aumento de 17,1% em relação ao ciclo anterior. Conforme o documento, o crescimento é impulsionado por um ciclo de bienalidade positiva, além da expansão de áreas cultivadas, maior uso de tecnologia e condições climáticas mais favoráveis. A área total plantada com café no país deve alcançar 2,3 milhões de hectares, com cerca de 1,9 milhão de hectares em produção. No estado de São Paulo, o cultivo é exclusivamente de café arábica, e a previsão é de alta de 16% na produção, impulsionada pela recuperação de lavouras e pela fase produtiva mais favorável das plantas. LEIA TAMBÉM: Do aroma da manhã à gastronomia, café vai além da xícara e vira ingrediente até em molho para carnes; veja receita Chocolate, frutas, flores: como sentir as 'notas secretas' do café e escolher um grão de qualidade Da tradição familiar às xícaras Em Adamantina, a indústria de cafés Treviolo é um exemplo de como tradição e conhecimento acumulado moldam a qualidade do produto final. A empresa foi fundada oficialmente em 10 de março de 1992, mas a relação da família com o café começou muito antes. “A história da Treviolo começa muito antes de sua fundação. Desde 1925, a família já atuava na torrefação de cafés em grãos em São Paulo e, a partir de 1954, na produção e beneficiamento em Adamantina”, relata a empresa ao g1. Indústria em Adamantina (SP) mantém viva a tradição do café no oeste paulista @cromasolucoesdigitais/Treviolo/Cedidas Segundo a indústria, esse legado atravessou gerações e permitiu dominar todas as etapas da produção, que vai desde a escolha da matéria-prima ao ponto ideal de torra. “Esse conhecimento resulta em cafés com excelência em textura, acidez, aroma e sabor, uma experiência que se revela em cada xícara”, afirma a empresa. Grande parte do café utilizado pela indústria vem da própria região. Aproximadamente 70% dos grãos do Blend 01 são produzidos pela empresa em Adamantina, enquanto os outros 30% vêm da região da Mogiana Paulista, tradicional área cafeeira do estado. No Blend 02, cerca de 60% da matéria-prima é de produção própria, enquanto 40% também têm origem na Mogiana Paulista. Do grão ao produto final Dentro da indústria, o café passa por várias etapas até chegar ao consumidor. O processo começa com a compra e armazenamento dos grãos por safra. Em seguida, cada lote passa por torrefação separada, etapa essencial para definir aroma e sabor. Depois da torra, os grãos podem ser moídos conforme o método de preparo, especialmente para extrações como o café expresso. A moagem destinada ao produto final costuma ser realizada ao longo da semana de expedição, garantindo maior frescor. Por fim, o café é acondicionado em embalagens flexíveis a vácuo, que ajudam a preservar as características do produto. Indústria em Adamantina (SP) mantém viva a tradição do café no oeste paulista @cromasolucoesdigitais/Treviolo/Cedidas Perfis de sabor A empresa trabalha com diferentes blends, todos com torra fresca e perfis sensoriais distintos: Blend 01: torra média, predominância de robusta, com notas achocolatadas, frutadas, textura aveludada e leve amargor Blend 02: torra média, também predominante em robusta, com perfil encorpado, achocolatado e baixa acidez Blend 03: torra média clara, com notas frutadas, acidez moderada e corpo médio Essas variações mostram como pequenas mudanças na torra e na composição dos grãos podem alterar completamente a experiência sensorial da bebida. O que define um bom café? Especialistas da indústria explicaram ao g1 que a qualidade do café começa ainda no campo. A colheita no ponto ideal de maturação, seguida por secagem adequada, armazenamento correto e beneficiamento cuidadoso, é fundamental para preservar os atributos do grão. Na etapa industrial, a torra harmoniosa, a moagem correta para cada método de preparo e o consumo próximo à data da torra fazem toda a diferença na xícara. Até mesmo a preparação em casa pode influenciar no resultado. Um erro comum, segundo a empresa, é usar água quente demais ou moagem inadequada, fatores que podem comprometer o sabor final. Indústria em Adamantina (SP) mantém viva a tradição do café no oeste paulista @cromasolucoesdigitais/Treviolo/Cedidas ‘Ouro negro’ Ao g1, Valentina Romeiro Flores, coordenadora do Museu e Arquivo Histórico (MAH) Prefeito Antonio Sandoval Netto, conta que o café foi fundamental para a colonização da região. A cultura impulsionou o desenvolvimento e, com a expansão da produção, também avançaram os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, dando origem a muitas cidades do interior do estado. Além de contribuir para a expansão ferroviária, a cafeicultura também foi responsável pelo surgimento de Presidente Prudente e de outras cidades até a divisa com o Mato Grosso, segundo Valentina. Segundo a coordenadora do MAH, a ferrovia foi essencial para o escoamento da produção cafeeira no interior paulista, principalmente das fazendas das regiões de Campinas e Ribeirão Preto. “O café teve um papel importante para alavancar o desenvolvimento do oeste paulista no início da sua colonização, mas foi gradualmente sendo substituído por outras culturas, como algodão, hortelã e milho”, explica. Café é uma das bebidas mais queridas do Brasil Stephanie Fonseca/g1 As atividades econômicas ligadas ao café na região incluíam comércio, produção e exportação do grão. Antes da construção de galpões de armazenamento e da regulamentação de preços pelo governo federal, o escoamento era feito principalmente pela ferrovia, enquanto o valor do produto oscilava no mercado brasileiro. “A instalação do galpão do Instituto Brasileiro do Café nessa região, nas proximidades da linha férrea, servia para armazenar grandes quantidades do grão e regular o valor do mesmo para venda. A localização também era importante para o escoamento do grão através da ferrovia para o porto de Santos”, continua. Valentina destaca que muitas pessoas não sabem que o café era conhecido como “ouro negro” e que as lavouras se expandiram para essa região em busca da famosa “terra roxa”, além da fuga das formigas saúvas, que atacavam as lavouras mais antigas. Mesmo não sendo um grande polo produtor hoje, o café deixou marcas na região. “A cidade nasce através da expansão da Estrada de Ferro Sorocabana para o escoamento das produções do interior, a chegada dos imigrantes nessa região para trabalhar nas lavouras, a construção do IBC, bem como as fábricas de beneficiamento como Matarazzo e Sanbra”, conta. Nos dias atuais, o IBC virou um Centro de Eventos. O espaço se tornou um marco da história da produção de café no Brasil e evidencia a importância da cultura para o desenvolvimento do Oeste Paulista, e os galpões também fazem parte da história do país. “Além dessa importância, existe sua estrutura de madeira de encaixe, sem parafusos ou pregos, montada como um navio invertido, que deve ser preservada e utilizada com responsabilidade. O tombamento não inutiliza o bem, e sim o preserva, dando a ele uma nova utilidade econômica e cultural”, finaliza. Café é uma das bebidas mais queridas do Brasil Stephanie Fonseca/g1 Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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