Três haitianos ficam acolhidos em Campinas após retenção em Viracopos
PF faz mutirão para cadastrar e liberar haitianos retidos em Viracopos Oito dos 118 haitianos que foram retidos no Aeroporto de Viracopos ficaram sob cuidados ...
PF faz mutirão para cadastrar e liberar haitianos retidos em Viracopos Oito dos 118 haitianos que foram retidos no Aeroporto de Viracopos ficaram sob cuidados da assistência social da Prefeitura de Campinas (SP), segundo Danielle Pizetta, chefe do setor regional de Campinas do Departamento de Migrações (Demig). Cinco seguiram viagem para outras cidades ainda neste domingo (15), enquanto três permanecerão acolhidos pelo município. O grupo de passageiros do Haiti deixou uma sala reservada do terminal neste sábado (14), mais de 55 horas depois do pouso da aeronave em Campinas (SP), após registrar pedidos de refúgio e receberem vistos de acolhimento humanitário em um mutirão coordenado pela Polícia Federal em Viracopos. A ação foi realizada junto do Governo Federal e da prefeitura. A maioria dos haitianos manifestou o desejo de continuar para outros destinos. Eles foram levados até a Rodoviária de Campinas, onde puderam comprar passagens e embarcar para cidades onde têm parentes ou amigos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp O grupo tinha sido impedido de desembarcar após PF identificar problemas na documentação dos estrangeiros, como vistos falsos. A PF segue com a investigação. O grupo chegou a ficar 10 horas dentro da aeronave na quinta-feira (12) - veja detalhes do caso abaixo. A corporação informou que foi necessário organizar um atendimento estruturado para que cada solicitante pudesse realizar o procedimento de forma adequada. Como foi a ação? Retenção em avião e espera em aeroporto: haitianos deixam sala reservada de Viracopos 55 horas após pouso Heitor Moreira/EPTV Os passageiros do país caribenho receberam visto de acolhimento humanitário e fizeram pedidos de refúgio no Brasil. Após esse procedimento inicial, a Polícia Federal realiza o registro migratório e o processamento da entrada dessas pessoas no país na condição de solicitantes de refúgio, segundo a PF. Esses pedidos ainda serão analisados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), que vai decidir se serão ou não aprovados. Clique aqui para saber o que é refúgio, acolhimento humanitário e as diferentes portas de entrada no Brasil. Um primeiro grupo, com 10 haitianos, saiu do aeroporto às 13h45 deste sábado, segundo a Polícia Federal. Haitianos que conversaram com a EPTV, afiliada da Globo para região, disseram que não sabiam de irregularidades nos documentos. Segundo Pizetta, equipes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) foram mobilizadas para estruturar o atendimento dentro do aeroporto. O MJSP articulou intérpretes de crioulo haitiano da Associação de Haitianos de Campinas e voluntários para auxiliar no cadastramento no Sisconare, sistema usado para pedidos de refúgio. A pasta também prestou apoio técnico à Polícia Federal na formalização das solicitações. As equipes do MDS explicaram como funcionaria o fluxo de atendimento para regularização migratória e forneceram orientações gerais sobre o Brasil e o funcionamento da rede de assistência social, identificando e encaminhando os casos que necessitavam de acolhimento. Para garantir vagas, houve articulação com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas. Por que os haitianos ficaram retidos? Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 113 dos 118 passageiros abordados ainda na quinta-feira apresentaram vistos de reunião familiar considerados falsos, o que levou à restrição de entrada e à análise da situação migratória de cada pessoa. O caso é acompanhado pela Justiça Federal, que chegou a expedir decisão em caráter liminar para que a PF terminasse a análise inicial de todos os pedidos de refúgio feitos pelos haitianos em 48 horas. A situação também levou à abertura de investigação sobre possível esquema de imigração irregular e falsificação de documentos. Crise no Haiti O Haiti está sem governo e enfrenta uma onda de violência das gangues. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o país enfrenta, atualmente, "uma das crises humanitárias mais graves do mundo". A situação no país caribenho é impulsionada pela violência de gangues, instabilidade política e uma profunda crise econômica, onde há escassez de comida, medicamentos e outros produtos básicos. O país não realiza eleições desde 2016 e sofre há anos com instabilidade política e insegurança. Voo fretado e fluxo migratório Aeronave da Aviatsa com haitianos pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (12) Arquivo pessoal O caso começou com a chegada de um voo fretado do Haiti ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), por volta de 9h de quinta-feira (12), sendo que 118 dos 120 passageiros foram impedidos de desembarcar pela Polícia Federal (PF). A companhia aérea Aviatsa afirmou que os imigrantes fariam pedido de refúgio ou proteção migratória no Brasil, e que todos estavam devidamente identificados e com passaporte válido. ✈ O voo fretado é uma operação de transporte aéreo comercial com ajuste de horário, local de partida e de destino de acordo com quem contrata o voo. Não faz parte da malha regular da companhia aérea. O voo fretado pela Aviatsa, companhia de Honduras que tem dois aviões em sua frota, foi o primeiro da empresa com o transporte de refugiados haitianos para o Brasil. A companhia está regularizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos não regulares de passageiros e cargas. Segundo a PF, Viracopos integra uma rota migratória de haitianos, com fluxo de três voos fretados semanais, com cerca de 600 passageiros. Infográfico - Avião com imigrantes haitianos fica retido no Aeroporto de Viracopos, em Campinas Arte/g1 Dez horas no avião e sala improvisada Os imigrantes chegaram a ficar dez horas dentro da aeronave na quinta-feira (12). Segundo a PF, ao identificar as irregularidades, a lei e as normas internacionais de transporte aéreo indicavam que a responsabilidade de retorno dos passageiros ao local de origem era da companhia aérea. "Após a comunicação da inadmissão, os passageiros foram reembarcados na aeronave. Por volta do meio-dia, todos já se encontravam a bordo, com a porta da aeronave fechada e autorização de decolagem concedida, para retorno ao ponto de origem do voo", informou a PF, em nota na quinta. Ainda segundo a PF, a aeronave, contudo, permaneceu no pátio do aeroporto por questões operacionais relacionadas ao voo, "cuja gestão é de responsabilidade da companhia aérea e da tripulação". Por volta das 19h, os passageiros foram levados a uma sala restrita no terminal, onde parte do grupo permanece. Eles passaram a noite em cadeiras e colchões, com acesso a banheiro e refeições. Avião com 118 imigrantes do Haiti fica retido em Viracopos Arquivo pessoal VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas